Ibovespa nesta segunda, 19: no lado positivo, os papéis da IRB (IRBR3) lideram as altas, com valorização de 2,82%, seguidos por Totvs (TOTS3), que sobe 2,37% (Nilton Fukuda / Agência Basil/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 12h21.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 12h30.
O Ibovespa registra leve queda e oscila em torno da estabilidade nesta segunda-feira, 19, refletindo um dia de baixa liquidez e maior aversão ao risco nos mercados globais.
Perto das 12h10, o principal índice da B3 rondava a estailidade, com ligeiro recuo de 0,09%, aos 164.658 pontos, em meio ao feriado nos Estados Unidos pelo Dia de Martin Luther King, que mantém as bolsas de Nova York fechadas.
A pressão mais significativa sobre o índice vem das ações ordinárias da Vale (VALE3), que recuam 0,86%. O movimento acompanha o recuo dos preços do minério de ferro no exterior, impactados pelo aumento das preocupações com a oferta global da commodity.
Os contratos mais negociados para maio na Bolsa de Dalian, na China, fecharam em baixa de 2,88%, cotados a 794 yuans (US$ 113,94) por tonelada, em meio à expectativa de que o projeto Simandou, na Guiné, aumente a oferta global nos próximos meses. O efeito se estende a outras siderúrgicas, como Usiminas (USIM5), com queda de 0,78%, e CSN Mineração (CMIN3), que cai 0,90%.
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista do grupo Axia Investing, esse carregamento expressivo do minério vindo da Guiné, combinado com expectativa de enfraquecimento do mercado imobiliário chinês, explicam a queda da Vale. "Isso ajuda a derrubar o preço do minério de ferro no mercado global e puxa nossas mineradoras e siderúrgicas para baixo", afirma.
O cenário externo também contribui para a cautela no mercado local. "Hoje é um dia de feriado nos Estados Unidos, sem liquidez, o que reduz o apetite ao risco. Toda a situação envolvendo os EUA e a Europa enfraquecida prejudica os investidores. A bolsa está numa lateralidade complicada, sem alta nem queda clara", complementa Sant’Anna.
Ramon Coser, da Valor Investimentos, reforça que a volatilidade global aumenta com as tensões comerciais entre EUA e União Europeia, especialmente após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, podendo subir para 25% em junho caso não haja acordo sobre a Groenlândia.
Além disso, a expectativa sobre a política monetária americana e possíveis mudanças no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também mantém os investidores cautelosos.
Entre as quedas do dia, além da Vale, destacam-se Brava (BRAV3), com recuo de 1,46%. A queda vem na esteira do anúncio da aquisição de 50% do campo de Tartaruga Verde, colocado à venda pela Petronas, por US$ 450 milhões.
A compra soou como uma contradição, na avaliação do mercado, uma vez que a empresa vinha discutindo internamente e anunciando um plano de venda de ativos e redução de dívida. "É controverso, a empresa anuncia um plano de desinvestimento e faz a aquisição de dois postos. O mercado não viu com bons olhos", disse Coser.
A maior queda do dia, porém, até o momento, são das ações da Natura (NATU3), com baixa de 4,85%.
"Natura é um papel bem problemático, que já vem com bastante problema há muito tempo, me atrevo a dizer, há anos. Esse é um papel que ainda não encontrou um investidor firme, que vá comprar para longo prazo, tem muita gente especulando ainda", diz o especialista do grupo Axia Investing.
No lado positivo, os papéis da IRB (IRBR3) lideram as altas, com valorização de 2,82%, seguidos por Totvs (TOTS3), que sobe 2,37%, impulsionada pelo anúncio da nomeação de Gustavo Mendes como diretor responsável por eficiência operacional, em uma medida vista pelo mercado como estratégica para preservar margens e aumentar a rentabilidade da companhia.
O dólar, por sua vez, opera em ligeira queda de 0,11%, cotado a R$ 5,367, refletindo a expectativa de poucos negócios e as tensões geopolíticas e comerciais.
O mercado também acompanha a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao UOL, que pode trazer pistas sobre o cenário econômico e político para o Brasil nas próximas semanas.