Novas tarifas dos EUA: especialistas preveem efeito limitado sobre o dólar
Editor de Invest
Publicado em 16 de julho de 2026 às 10h27.
O novo "tarifaço" do governo dos Estados Unidos contra o Brasil deve ter impacto limitado no mercado financeiro, dizem especialistas ouvidos pela EXAME. Via de regra, quando um país exporta menos, menor é a entrada de dólares e maior é a pressão sobre a moeda local. Mas, nesse caso, os analistas acreditam que as tarifas adicionais não serão suficientes para enfraquecer o real.
"A lista de isenção é muito grande e, com isso, o impacto é relativamente baixo nas exportações e representa bem pouco do PIB brasileiro", afirma Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.
Marcio Estrela, consultor em regulação cambial e financeira na Starnet Estrela, explica que o fluxo cambial vem muito mais do financeiro do que do comercial. "E o impacto no comercial é limitado, porque as exportações afetadas, em geral, já têm outros mercados", afirma.
Por outro lado, Estrela lembra que as novas tarifas são impostas logo depois de o governo americano considerar facções criminosas como organizações terroristas. Isso gera, segundo ele, uma insegurança em relação à posição dos Estados Unidos sobre a economia brasileira e afeta perspectivas de risco-país.
"É o conjunto de medidas contra o Brasil que pode afetar expectativas em relação à economia brasileira. Menos as medidas comerciais e mais as que afetam o financeiro", afirma.
Valdir Piran Jr, CEO da Intra Asset, acredita que uma escalada das tensões comerciais pode elevar a aversão ao risco, pressionar moedas de países emergentes e aumentar o prêmio de risco exigido pelos investidores.
"No curto prazo, o tarifaço tende a aumentar a volatilidade, mas uma depreciação mais persistente do real dependerá da evolução das negociações comerciais, da reação dos fluxos de capital e dos fundamentos macroeconômicos brasileiros", afirma.
O executivo, contudo, pondera que a eventual redução de vendas para os EUA pode afetar o fluxo cambial de alguns setores, mas a lista de produtos isentos "preserva uma parcela relevante da pauta exportadora e reduz o risco de um impacto expressivo sobre as contas externas".
"Caso isso seja acompanhado de incertezas fiscais ou de uma desaceleração mais intensa da atividade, o câmbio pode sofrer pressão adicional", complementa.