Invest

Novo 'tarifaço' dos EUA pode fazer o dólar subir? Chances existem, mas são pequenas

Isenção sobre principais produtos exportados pelo Brasil reduz impacto no câmbio, mas aumenta percepção de risco

Novas tarifas dos EUA: especialistas preveem efeito limitado sobre o dólar

Novas tarifas dos EUA: especialistas preveem efeito limitado sobre o dólar

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 16 de julho de 2026 às 10h27.

O novo "tarifaço" do governo dos Estados Unidos contra o Brasil deve ter impacto limitado no mercado financeiro, dizem especialistas ouvidos pela EXAME. Via de regra, quando um país exporta menos, menor é a entrada de dólares e maior é a pressão sobre a moeda local. Mas, nesse caso, os analistas acreditam que as tarifas adicionais não serão suficientes para enfraquecer o real.

"A lista de isenção é muito grande e, com isso, o impacto é relativamente baixo nas exportações e representa bem pouco do PIB brasileiro", afirma Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.

Marcio Estrela, consultor em regulação cambial e financeira na Starnet Estrela, explica que o fluxo cambial vem muito mais do financeiro do que do comercial. "E o impacto no comercial é limitado, porque as exportações afetadas, em geral, já têm outros mercados", afirma.

Insegurança institucional preocupa mais do que tarifas em si

Por outro lado, Estrela lembra que as novas tarifas são impostas logo depois de o governo americano considerar facções criminosas como organizações terroristas. Isso gera, segundo ele, uma insegurança em relação à posição dos Estados Unidos sobre a economia brasileira e afeta perspectivas de risco-país.

"É o conjunto de medidas contra o Brasil que pode afetar expectativas em relação à economia brasileira. Menos as medidas comerciais e mais as que afetam o financeiro", afirma.

Aversão ao risco pode pressionar o câmbio no curto prazo

Valdir Piran Jr, CEO da Intra Asset, acredita que uma escalada das tensões comerciais pode elevar a aversão ao risco, pressionar moedas de países emergentes e aumentar o prêmio de risco exigido pelos investidores.

"No curto prazo, o tarifaço tende a aumentar a volatilidade, mas uma depreciação mais persistente do real dependerá da evolução das negociações comerciais, da reação dos fluxos de capital e dos fundamentos macroeconômicos brasileiros", afirma.

O executivo, contudo, pondera que a eventual redução de vendas para os EUA pode afetar o fluxo cambial de alguns setores, mas a lista de produtos isentos "preserva uma parcela relevante da pauta exportadora e reduz o risco de um impacto expressivo sobre as contas externas".

"Caso isso seja acompanhado de incertezas fiscais ou de uma desaceleração mais intensa da atividade, o câmbio pode sofrer pressão adicional", complementa.

Acompanhe tudo sobre:TarifasEstados Unidos (EUA)DólarMercado financeiro

Mais de Invest

SpaceX: ação cai 40% desde o pico e negocia abaixo do preço do IPO

Ecopetrol ganha aval da CVM para seguir com OPA da Brava Energia

TSMC bate recorde de lucro e aumenta investimentos em chips para IA

BTG Pactual abre plataforma de securitização a concorrentes e gestores