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Repórter
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 06h12.
Entre os principais vetores está o aumento das tensões geopolíticas. Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas de até 25% sobre exportações de países aliados da Otan, como Dinamarca, Noruega, Alemanha e Reino Unido, após novos conflitos diplomáticos relacionados à Groenlândia.
A resposta do mercado foi imediata e o ouro saltou para US$ 4.668 poucas horas após o anúncio, com investidores buscando ativos mais seguros. Nesta segunda-feira, 26, o ouro passou a marca dos US$ 5.100.
Outros focos de instabilidade incluem a falta de resolução no conflito entre Ucrânia e Rússia, pressões crescentes no Irã, riscos de intervenção na Venezuela e a possibilidade de um shutdown do governo americano. Esse conjunto de riscos elevou a demanda por instrumentos resistentes à inflação, desvalorização cambial e choques de mercado.
Além do ambiente político, o ouro também se beneficia de uma mudança estrutural nas reservas internacionais. Desde o congelamento de ativos russos pela União Europeia, diversos bancos centrais passaram a reduzir sua exposição ao dólar. O ritmo de compras de ouro aumentou significativamente e a média mensal subiu de 17 para 60 toneladas, com destaque para a China, que acumula 14 meses seguidos de compras até dezembro de 2025.
Atualmente, o metal representa quase 20% das reservas globais, superando o euro e os títulos do Tesouro dos EUA, atrás apenas do próprio dólar. Segundo o FMI, se países com menos de 10% de reservas em ouro decidirem elevar esse percentual, seriam necessárias cerca de 1.200 toneladas adicionais, mesmo com o preço a US$ 5.000 por onça.
Do lado dos investidores, o movimento é semelhante. Fundos, ETFs e famílias de alta renda ampliaram a exposição ao ouro como forma de proteção contra volatilidade macroeconômica. Desde 2025, os ETFs ocidentais adicionaram cerca de 500 toneladas em posições líquidas. Já o mercado de futuros mantém expectativa de alta, com posições compradas em expansão.
A desvalorização do dólar, que caiu 9% em 12 meses, e a perspectiva de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre também favorecem o metal. Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de manter ouro — que não paga rendimento — diminui, e a demanda tende a subir.
A demanda continua forte. No terceiro trimestre de 2025, bancos centrais e investidores compraram um total combinado de 980 toneladas, o equivalente a cerca de US$ 109 bilhões, segundo dados do J.P. Morgan.