'Twinkle Twinkle' e 'Crush on You': as novas apostas da Pop Mart
Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 15h17.
As ações da Pop Mart atingiram o patamar mais alto em cerca de dois meses na Bolsa de Hong Kong, impulsionadas por uma combinação de lançamentos bem recebidos, sinalizações positivas de gestão e anúncios de recompra de papéis. O movimento ocorre em um momento em que o apelo de alguns personagens mais conhecidos da empresa, como os Labubu, começa a arrefecer, abrindo espaço para novas propriedades intelectuais ganharem tração.
Durante o pregão, os papéis da última madrugada chegaram a avançar mais de 9% e encerraram o dia com alta de 6,6%, a 219,60 dólares de Hong Kong — o melhor nível desde novembro. Na semana, a valorização acumulada alcançou 23%.
O desempenho foi catalisado pelos lançamentos recentes da linha de pelúcias “Crush on You”, dentro da franquia Twinkle Twinkle, e da série “Tap Tap Babies”, da marca Pucky. Analistas do Citi destacaram que o retorno inicial do mercado à coleção Twinkle Twinkle tem sido favorável, com produtos negociados a preços superiores nas plataformas secundárias de revenda — um termômetro relevante para o apetite do público por itens colecionáveis.
A série Pucky também tem registrado boa aceitação. Os pingentes de pelúcia trazem um módulo sonoro que emite um som seco quando tocado, inspirado no tradicional “peixe de madeira” da cultura chinesa, associado a sorte, felicidade e prosperidade. A combinação entre design, simbolismo cultural e experiência sensorial tem ajudado a ampliar o alcance da coleção, segundo o banco.
O humor do mercado foi reforçado ainda pela exibição, pela agência estatal Xinhua, de uma entrevista de quase uma hora com o fundador e CEO da Pop Mart, Wang Ning. Na conversa, o executivo ressaltou a disciplina da companhia ao expandir portfólio e operações, com ênfase na leitura das emoções e preferências dos consumidores.
“No fundo, continuamos sendo uma empresa de design”, afirmou. Para ele, os produtos-chave devem ser encarados como obras de arte, e não apenas mercadorias — o que exige dizer “não” com frequência nas decisões estratégicas.
Na avaliação do Citi, essa combinação de visão criativa e pragmatismo comercial tende a ajudar a Pop Mart a atravessar a fase de consumo emocional mais seletivo e a capturar a tendência global do público “kidult” — adultos que consomem produtos tradicionalmente associados ao universo infantil. O banco também citou o reconhecimento dado aos artistas parceiros e um ecossistema integrado de propriedade intelectual orientado por dados como vetores adicionais de crescimento.
No início da semana, a empresa anunciou dois programas de recompra de ações, somando 347,9 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de US$ 44,6 milhões), o que contribuiu para sustentar o rali recente dos papéis.