Ibovespa zera perdas: às 12h24, o principal índice acionário brasileiro registrava ligeira alta de 0,25%, aos 179.807 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 9 de março de 2026 às 12h27.
Depois de abrir as negociações em ligeira queda, o Ibovespa ronda a estabilidade no início das negociações desta segunda-feira, 9, apesar aumento da aversão a risco nos mercados globais diante da escalada das tensões no Oriente Médio. Às 12h24, o principal índice acionário brasileiro registrava ligeira alta de 0,25%, aos 179.807 pontos.
O desempenho da bolsa brasileira é relativamente melhor do que o observado em outros mercados internacionais. No mesmo horário, das 84 ações que compõem o Ibovespa, 49 operavam em baixa, 18 estavam estáveis e 17 registravam alta.
No radar dos investidores permanece a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, que mantém elevados os temores de uma interrupção prolongada na oferta global de petróleo. Sem sinais claros de desescalada do conflito, os preços do barril voltaram a subir e ultrapassaram os US$ 100 no mercado internacional, ampliando a cautela entre investidores.
Mas, na bolsa brasileira, o avanço dos preços da commodity têm ajudado na valorização das petroleiras, que ajudam a limitar as perdas do índice.
Desde a abertura do pregão a Prio (PRIO3) lidera as altas do Ibovespa, com avanço superior a 5%. As ações da Petrobras também tinham forte valorização: os papéis ordinários (PETR3) subiam 5,11%, enquanto os preferenciais (PETR4) avançavam 4,77%.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o desempenho do Ibovespa é relativamente positivo quando comparado ao restante do mundo, especialmente à Ásia, que registrou quedas mais intensas.
De acordo com ele, a alta do petróleo sustenta parte do desempenho do índice. "Isso está segurando o Ibovespa", disse.
"Mas mesmo os demais setores não abriram com uma aversão a risco tão grande. O mercado está tentando entender quais os reais impactos que podem vir de um preço de petróleo mais elevado, que a gente sabe que pode refletir na inflação", afirmou.
Entre as maiores quedas do índice, as ações da MRV (MRVE3) lideravam as perdas, com recuo próximo de 6%. A incorporadora divulgou balanço antes da abertura do mercado nesta segunda-feira, com resultados mistos.
Enquanto o negócio de incorporação no Brasil — principal operação do grupo — voltou ao lucro e atingiu as metas operacionais do ano, a operação americana, a Resia, continuou pressionando o resultado consolidado.
A holding registrou receita operacional líquida de R$ 10,9 bilhões em 2025, mas fechou o ano com prejuízo líquido de R$ 1,04 bilhão atribuído aos acionistas, reflexo principalmente dos impactos da operação nos Estados Unidos, que segue em processo de reestruturação e venda de ativos.
Apesar do cenário de maior aversão ao risco no exterior, o dólar ampliou a queda frente ao real. Às 12h19, a moeda americana caía 0,62%, cotada a R$ 5,211.
Para Moliterno, o diferencial elevado de juros entre o Brasil e outros países continua sendo um fator que favorece a moeda brasileira. "Na contramão, o dólar aqui segue pressionado. O real está se valorizando e um grande ponto disso ainda é a defasagem de juros muito grande que existe no Brasil, o que segue atraindo investidores", disse.
Segundo ele, a taxa básica de juros ainda elevada no país mantém o Brasil atrativo para o capital estrangeiro. "A gente ainda está com juros na casa de 15% ao ano, com tendência de iniciar a queda, contra os juros lá fora bem mais baixos. Então ainda estamos tentando nos beneficiar disso também".
No exterior, os mercados registram quedas mais expressivas diante do temor de que a guerra no Oriente Médio provoque um período prolongado de preços elevados de energia, pressionando a inflação e a atividade econômica global.
Na Ásia, as bolsas fecharam em forte baixa. O índice Nikkei 225, de Tóquio, caiu 5,20%, enquanto o Kospi, de Seul, recuou 5,96%, acionando seu segundo mecanismo de interrupção de negociações (“circuit breaker”) em quatro sessões. Em Hong Kong, o índice Hang Seng cedeu 1,35%.
Na Europa, as bolsas também operam no vermelho. Por volta das 12h10, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,98%, no terceiro pregão consecutivo de queda. A Bolsa de Londres recuava 0,67%, a de Paris caía 1,25% e a de Frankfurt cedia 0,83%.
Nos Estados Unidos, os principais índices também registravam perdas: o Dow Jones recuava 0,97%, o S&P 500 caía 0,61% e o Nasdaq tinha baixa de 0,31%.