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Bolsa já parou 23 vezes com circuit breaker; relembre os episódios

O primeiro episódio ocorreu em outubro em 1997, durante a crise asiática. O último, em 2020, durante a pandemia

B3: bolsa brasileira acionou circuit breaker 23 vezes. (B3/Divulgação)

B3: bolsa brasileira acionou circuit breaker 23 vezes. (B3/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de março de 2026 às 10h40.

O circuit breaker é um mecanismo que interrompe as negociações do pregão quando a bolsa registra oscilações muito fortes. Na B3, o mecanismo já foi acionado 23 vezes. O primeiro episódio ocorreu em outubro de 1997, durante a crise asiática, quando o colapso da bolsa de Hong Kong provocou forte turbulência nos mercados globais.

No ano seguinte, em 1998, a crise financeira da Rússia levou a cinco interrupções no Brasil. Em 1999, a mudança no regime cambial e a forte desvalorização do real provocaram mais duas.

Já a crise financeira global de 2008, causada pelo colapso do mercado imobiliário nos Estados Unidos, gerou seis paralisações na bolsa de valores brasileira.

'Joesley Day' e a pandemia

Após quase uma década sem interrupções, o circuit breaker voltou a ser acionado em maio de 2017, no episódio conhecido como "Joesley Day", com denúncias envolvendo executivos da JBS e o ex-presidente Michel Temer.

Linha do tempo circuit breaker na B3

Circuit Breaker: linha do tempo na B3. (B3/Divulgação)

A divulgação do conteúdo gerou forte reação no mercado, com temor de uma nova crise política e impacto nas reformas econômicas em discussão no país.

Já o episódio mais recente ocorreu em março de 2020, no início da pandemia de covid-19. A rápida disseminação do vírus pelo mundo aumentou a incerteza sobre os impactos econômicos da crise.

Com isso, a combinação de turbulências nos mercados globais e a forte queda nos preços internacionais do petróleo aumentou o nível de aversão ao risco entre investidores.

A B3 precisou acionar o circuit breaker seis vezes em um intervalo de dez dias.

No período, o Ibovespa registrou algumas das maiores perdas de sua história recente, incluindo um recuo de 13,92% em 16 de março de 2020.

Os movimentos de circuit breaker na B3

DataVariação no fechamentoEstágioContexto
28/10/1997+6,42%Crise asiática
07/11/1997-6,38%Crise asiática
12/11/1997-10,20%Crise asiática
21/08/1998-2,85%Crise russa
04/09/1998-6,13%Crise russa
10/09/1998-15,82%Crise russa
10/09/1998-15,82%Crise russa (2º acionamento no dia)
17/09/1998-4,84%Crise russa
13/01/1999-5,04%Crise cambial brasileira
14/01/1999-9,96%Crise cambial brasileira
29/09/2008-9,36%Crise financeira global
06/10/2008-5,43%Crise financeira global
06/10/2008-5,43%Crise financeira global (2º no dia)
10/10/2008-3,97%Crise financeira global
15/10/2008-11,39%Crise financeira global
22/10/2008-10,18%Crise financeira global
18/05/2017-8,80%Crise política (Joesley Day)
09/03/2020-12,17%Pandemia de Covid-19
11/03/2020-7,67%Pandemia
12/03/2020-14,78%Pandemia
12/03/2020-14,78%Pandemia (2º no dia)
16/03/2020-13,92%Pandemia
18/03/2020-10,35%Pandemia

Quando ocorre o circuit breaker?

Na bolsa brasileira, o circuit breaker tem três estágios definidos pela variação do Ibovespa em relação ao fechamento do dia anterior, a depender de determinados percentuais de queda.

  • O primeiro nível é acionado quando o índice cai 10%, interrompendo o pregão por 30 minutos.
  • Se o mercado reabrir e a queda atingir 15%, entra o segundo estágio, com nova paralisação de uma hora.
  • No terceiro estágio, quando o recuo chega a 20%, a B3 pode suspender as negociações por tempo indeterminado, muitas vezes encerrando o pregão.

Até hoje, o terceiro nível nunca foi acionado na bolsa brasileira. Além disso, existem algumas restrições, pois o mecanismo não pode ser ativado nos 30 minutos finais do pregão.

Quando ocorre a pausa, todas as ordens automáticas são canceladas. Se quiser negociar novamente, o investidor precisa enviar novas ordens depois da reabertura.

A ideia é funcionar como um freio de emergência para momentos de pânico, a fim de reduzir a volatilidade extrema e evitar decisões precipitadas, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

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