O que move os mercados: agenda cheia fora do Brasil, divulgação de balanços importantes e a reação do mercado aos últimos desdobramentos políticos nos Estados Unidos (TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 05h30.
Os mercados chegam a esta quarta-feira, 4, embalados por mais um dia histórico para a bolsa brasileira. O Ibovespa renovou máximas pela nona vez no ano na sessão passada, em meio à expectativa de início do ciclo de corte de juros no Brasil e ao forte fluxo de capital estrangeiro. Agora, a continuidade do movimento passa por uma agenda cheia fora do Brasil, pela divulgação de balanços importantes e pela reação do mercado aos últimos desdobramentos políticos nos Estados Unidos.
O dia começa com uma bateria de indicadores na Europa. Ainda de madrugada, saem os números finais dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) de serviços e composto de janeiro na França, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido.
Esses dados ajudam a calibrar a leitura sobre o ritmo da atividade no bloco europeu. Na sequência, o mercado acompanha os dados de inflação: o CPI preliminar de janeiro da Zona do Euro e da Itália, além do índice de preços ao produtor (PPI) do bloco, divulgados pela Eurostat.
Nos Estados Unidos, a atenção se volta principalmente para o mercado de trabalho e o setor de serviços. Às 10h15, o relatório ADP traz uma leitura sobre a criação de empregos no setor privado em janeiro.
Mais tarde, às 11h45, saem os PMIs finais de serviços e composto da S&P Global, seguidos, ao meio-dia, pelo PMI de serviços do ISM — um dos indicadores mais acompanhados para medir a temperatura da maior economia do mundo. Às 12h30, os estoques semanais de petróleo bruto também entram no radar, em um momento de volatilidade recente nos preços da commodity.
No Brasil, a agenda de indicadores é mais enxuta, mas ainda relevante. Às 14h30, o Banco Central divulga o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), além dos dados de fluxo cambial semanal, que ajudam a entender a intensidade da entrada ou saída de dólares no país — um tema sensível em meio à valorização recente dos ativos locais.
O noticiário político internacional também segue no foco. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump sancionou nesta terça a lei que encerra a paralisação parcial do governo federal, que durou quase quatro dias.
O novo shutdown havia sido provocado por impasses entre republicanos e democratas sobre o financiamento da agência de imigração. A aprovação do pacote de gastos, com votos cruzados entre os dois partidos, trouxe alívio aos mercados, ao afastar, ao menos por ora, o risco de novas interrupções no funcionamento do governo.
No calendário corporativo, a temporada de balanços ganha tração. No Brasil, os grandes bancos inauguram a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025. O Santander apresenta seus números antes da abertura do mercado, enquanto o Itaú divulga após o fechamento, o que tende a mexer com o humor dos investidores na B3.
Nos Estados Unidos, os holofotes se dividem entre diferentes setores. Pela manhã, a Eli Lilly divulga seu balanço, mas analistas destacam que o mercado estará especialmente atento a eventuais atualizações sobre os testes de medicamentos para obesidade da linha GLP-1, tema sensível para as ações da companhia, que acumulam queda de cerca de 3,5% no ano.
Antes da abertura também publicam resultados empresas como AbbVie, Novartis, Novo Nordisk, Uber e UBS. Já após o fechamento, a atenção se volta para a Alphabet, dona do Google, além de Qualcomm, Arm e MetLife.
Na agenda doméstica de autoridades, o destaque é a reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, às 10h, com encontro da subcomissão que acompanha as investigações das fraudes do Caso Master.
Tudo isso acontece após um pregão de contrastes globais. Enquanto o Ibovespa fechou aos inéditos 185.674 pontos, impulsionado por blue chips, expectativa de juros mais baixos e forte fluxo estrangeiro, as bolsas de Nova York recuaram, pressionadas por perdas no setor de tecnologia.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que os investidores começam a quarta-feira atentos a cada dado e cada balanço: o apetite por risco está elevado, mas segue altamente dependente dos sinais vindos da economia global.