Petróleo: preço da commodity dispara após fala de Trump. (Carol Yepes/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 18 de maio de 2026 às 06h58.
O preço do petróleo opera em alta nesta segunda-feira, 18, em meio ao desafio de alcançar a paz no Irã, com o aumento das preocupações em torno de ameaças do presidente Donald Trump.
O barril do Brent, referência internacional, avançava 1,12% pela manhã, negociado perto de US$ 110,48, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 1,43%, para US$ 102,46.
A movimentação acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, elevar o tom contra o Irã em meio ao impasse nas negociações por um cessar-fogo no conflito no Oriente Médio.Trump afirmou que "o tempo está se esgotando" para Teerã avançar nas tratativas diplomáticas, enquanto o governo iraniano acusa Washington de não apresentar concessões concretas para encerrar a guerra.
"É melhor eles se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles", escreveu em uma rede social. "O TEMPO É ESSENCIAL!"
Após as declarações, o Brent chegou a US$ 111,13 no mercado asiático, enquanto o petróleo negociado nos EUA avançou para US$ 107,62.
O republicano deve se reunir com seus principais assessores de segurança nesta terça-feira, 19, para discutir opções relacionadas ao conflito, segundo informações divulgadas pela BBC.
A commodity acumula, ainda, forte valorização em 12 meses, com o Brent subindo cerca de 68,7% no período, enquanto o WTI avança mais de 65%, de acordo com o Investing.com.
O mercado acompanha, especialmente, os impactos sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo.
O bloqueio parcial da passagem elevou os temores de desabastecimento e provocou forte volatilidade nas commodities energéticas desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro.
O aumento dos preços já começa a pressionar setores dependentes de combustível, como aviação, logística e transporte marítimo, com riscos de inflação persistente e desaceleração global.
A companhia aérea Ryanair, por exemplo, vê que a guerra no Oriente Médio trouxe "incerteza econômica" e aumentou o custo do querosene de aviação, segundo dados da BBC.
A empresa informou que trava preços para cerca de 80% do combustível utilizado nos próximos meses, mas admitiu que os valores restantes dispararam com o conflito.
Já analistas alertam para o risco de novas pressões inflacionárias globais caso o petróleo permaneça acima de US$ 100 por barril por um período prolongado.O economista-chefe da consultoria Rystad Energy, Claudio Galimberti, disse à ao canal britânico que o mundo pode enfrentar um "verão de dor" caso o Estreito de Ormuz continue restrito.
Além do impacto sobre inflação e juros, investidores acompanham possíveis efeitos sobre empresas do setor de energia e países importadores de petróleo.
A China segue como um dos principais pontos de atenção, já que cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano têm como destino o país asiático.