Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo. (Stringer/Reuters)
Repórter de Invest
Publicado em 13 de maio de 2026 às 07h17.
A guerra no Irã começou a provocar um dos cenários mais temidos pelo mercado de energia, com os estoques globais de petróleo sendo drenados em ritmo recorde à medida que as tensões pressionam o abastecimento.
A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que refinarias, distribuidoras e países importadores enfrentam mais dificuldades para substituir o petróleo que deixou de circular pelo Oriente Médio.
O movimento reacende o temor de uma nova escalada nos preços do barril justamente em um momento delicado para bancos centrais e investidores, que ainda monitoram os impactos da inflação global e discutem os juros.
Os estoques globais de petróleo bruto e derivados recuaram quase 250 milhões de barris desde o início do conflito, de acordo com relatório da IEA divulgado pelo Financial Times.
A perda efetiva pode ser ainda maior porque parte relevante do petróleo permanece parada no Golfo Pérsico após o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do mundo.
A velocidade da redução dos estoques chamou atenção da própria agência internacional. Apenas em abril, as reservas globais de petróleo e combustíveis encolheram quase quatro milhões de barris por dia.
O volume equivale a mais do que todo o consumo somado de Reino Unido e Alemanha.
"O mundo está reduzindo seus estoques de petróleo em ritmo recorde", afirmou a AIE no relatório. A agência acrescentou que o atual cenário de interrupções "pode prenunciar futuros aumentos de preços".
Enquanto grande parte da oferta global segue comprometida, governos e empresas utilizam estoques estratégicos para evitar rupturas imediatas no abastecimento até o momento, de acordo com a IEA.
A Europa aparece entre as regiões mais vulneráveis. O continente depende do Oriente Médio para abastecer parte de sua demanda por combustíveis refinados, especialmente o querosene de aviação.
A IEA estima que o Oriente Médio respondeu por 60% do combustível de aviação consumido pelos europeus em 2025. Agora os estoques no eixo Amsterdã-Roterdã-Antuérpia ficaram abaixo das mínimas dos últimos cinco anos.
As importações líquidas de querosene recuaram quase 100 mil barris por dia em abril na comparação anual, ampliando o risco de pressão sobre companhias aéreas e preços de passagens no verão europeu.
A agência prevê, ainda, que o consumo europeu de petróleo caia 140 mil barris por dia neste ano, repetindo um padrão de retração visto após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.Essa projeção, porém, considera um cenário relativamente otimista, em que o fim do conflito ocorra no início de junho. Se a duração for maior, a expectativa é de novos cortes.
A IEA ressaltou, todavia, que o aumento das exportações dos Estados Unidos ajudaram a aliviar a pressão. O país elevou os embarques de diesel em 430 mil barris por dia em relação ao ano passado.
Cerca de 80% desse volume foi direcionado à Europa, reduzindo parte da escassez deixada pela menor oferta do Oriente Médio, em meio aos temores de um novo choque no mercado global.