Economia

Petróleo a US$ 100 por guerra no Irã eleva apostas em pausa de cortes da Selic

Chance de manutenção dos juros sobe para 35% com pressão do petróleo e piora do cenário externo

Galípolo: presidente do BC sinalizou que BC continuará atuando com cautela (Lula Marques/Agência Brasil)

Galípolo: presidente do BC sinalizou que BC continuará atuando com cautela (Lula Marques/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 16 de maio de 2026 às 09h00.

O prolongamento da guerra no Irã reduziu as apostas em um novo corte da Selic e elevou a probabilidade de manutenção dos juros na próxima reunião do Copom.

Segundo os contratos de Opções de Copom da B3, instrumento que capta a expectativa dos agentes financeiros para a decisão do Banco Central, 59% dos investidores ainda apostam em uma queda de 0,25 ponto percentual.

O percentual, porém, perdeu força. Nos últimos dias, a chance de corte de 0,25 ponto chegou a 66%.

No mesmo período, a aposta na manutenção da Selic subiu de 21,5% para 35%, em meio à piora do cenário externo e à pressão sobre o petróleo.

A mudança reflete a leitura de que o conflito no Oriente Médio pode limitar o espaço para novos cortes de juros no Brasil.

Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, e o governo iraniano subiram o tom e recuaram sobre um possível acordo para um cessar-fogo permanente.

Na última ata, o Copom manteve o tom de cautela e afirmou que os próximos passos dependerão de novas informações sobre a economia e sobre os efeitos diretos e indiretos da guerra nos preços.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a preocupação com o choque internacional e o impacto no controle da inflação.

Durante a abertura da Conferência Anual do Banco Central, em Brasília, na última quarta-feira, 13, Galípolo disse que a autoridade monetária precisa estar ainda mais vigilante diante dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

O Boletim Focus divulgado no início da semana teve a nona revisão da expectativa da inflação no curto prazo. A projeção para 2027 o fim de 2027, período relevante para o BC, permaneceu estável em 4%.

A Selic está em 14,50% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual na última reunião.

Para Andrea Bastos Damico, CEO da Buysidebrazil, o cenário atual da casa ainda considera a Selic em 13% no fim do ano, mas essa projeção depende de um petróleo mais comportado.

“Esse é um cenário compatível com o petróleo a US$ 85 e US$ 90. Pressupõe que tenhamos uma solução não muito demorada para a guerra”, disse Damico.

Segundo ela, se o petróleo permanecer perto de US$ 100 por barril, o cenário para a Selic no fim do ano pode ir para perto de 14%, o que pode significar uma pausa no atual ciclo de cortes.

“Se mantivermos um petróleo nessa casa dos US$ 100, que é o que está acontecendo nesses últimos dias, semanas, estamos falando de um cenário ao redor de 14%”, afirmou.

Petróleo vira variável central para o Copom

O petróleo passou a ocupar papel central nas projeções para juros porque uma alta persistente da commodity pode pressionar combustíveis, câmbio e expectativas de inflação. Esse quadro tende a tornar o Banco Central mais cauteloso em novas reduções da taxa básica.

Andrea afirma que a Buysidebrazil deve revisar o cenário caso ganhe convicção de que o barril ficará próximo de US$ 100.

A economista lembrou que a casa já havia ajustado a projeção após o início da guerra.

“Antes da guerra, tínhamos uma projeção da taxa de juros a 12%. Ela foi para 13%, mas agora está tentando navegar com esses cenários de petróleo”, afirmou.

Para ela, a ausência de uma sinalização de desescalada pode consolidar o cenário mais conservador. “Esse cenário de US$ 100 por barril ganhou muita probabilidade. Principalmente se nada sair do encontro do Trump com o Xi. Acho que ele se consolida um pouco mais ainda”, disse.

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