Yuan: China tenta evitar que seus maiores bancos entrem na mira dos EUA. (Imagem gerada por IA )
Repórter de Invest
Publicado em 7 de maio de 2026 às 07h58.
A China orientou os maiores bancos do país a interromperem novos empréstimos para refinarias privadas envolvidas na compra de petróleo iraniano, poucos dias depois de os Estados Unidos ampliarem sanções contra empresas do setor.
Segundo informações da Bloomberg, a medida partiu da Administração Nacional de Regulação Financeira (NFRA, na sigla em inglês), que pediu às instituições financeiras que revisem sua exposição às companhias e suspendam temporariamente novos financiamentos em yuan.
A recomendação, porém, não inclui empréstimos já concedidos. Os bancos teriam sido instruídos a evitar cobranças antecipadas ou cancelamentos de linhas de crédito em andamento.
As restrições envolvem cinco refinarias chinesas ligadas ao comércio de petróleo iraniano. Entre elas está a Hengli Petrochemical (Dalian), uma das maiores refinarias privadas da China. Os nomes das demais empresas não foram divulgados.
O movimento chamou atenção porque aconteceu poucos dias antes de o Ministério do Comércio da China divulgar um comunicado pedindo que empresas chinesas ignorassem as sanções estadunidenses.
Foi a primeira vez que Pequim ativou oficialmente um mecanismo criado em 2021 para proteger empresas locais contra punições estrangeiras, de acordo com dados divulgados pela Bloomberg.
O receio parece ser de que bancos do país acabem atingidos por sanções secundárias dos EUA e tenham dificuldades para operar no sistema internacional em dólar.Em abril, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia colocado a Hengli Petrochemical na lista de sanções sob acusação de comprar bilhões de dólares em petróleo iraniano.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, até afirmou que Washington enviou cartas a dois bancos chineses alertando sobre possíveis punições caso seja comprovado apoio a transações ligadas ao Irã.
Mesmo com a guerra envolvendo o Irã, os EUA e Israel, que se estendeu para diversos países do Oriente Médio e afetou o setor de energia global, o Irã conseguiu aumentar suas exportações de petróleo.
Dados da empresa de monitoramento Kpler, citados pelo Wall Street Journal, mostram que o país exportou cerca de 2,1 milhões de barris por dia em março. Em fevereiro, o volume estava perto de dois milhões de barris diários.
Grande parte desse petróleo continua seguindo para a Ásia, especialmente China e Índia, usando a chamada "frota das sombras", formada por navios ligados a empresas sancionadas pelos EUA.O Estreito de Ormuz continua operando sob forte instabilidade neste início de maio. Embora o Irã tenha sinalizado uma flexibilização parcial das restrições durante negociações de cessar-fogo, o tráfego não está normal.
Relatos apontam ataques envolvendo embarcações estadunidenses e iranianas na região, além de escoltas militares dos EUA para petroleiros que tentam atravessar a rota.
O El País informou que mais de 800 embarcações e cerca de 20 mil marinheiros continuam retidos no Golfo Pérsico por causa das restrições na passagem.
A crise elevou a volatilidade do petróleo nas últimas semanas. O barril do tipo Brent, com contrato para julho, caía 2,14%, a US$ 99,10, na manhã desta quinta-feira, 7.
Referência de preços nos EUA, os contratos futuros para junho do tipo West Texas Intermediate (WTI) também recuavam 2,36%, a US$ 92,84.
O Estreito de Ormuz é uma rota de escoamento responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
O JP Morgan estima que um bloqueio de apenas duas semanas poderia retirar 3,8 milhões de barris diários do mercado global, o equivalente a mais de 3% da produção mundial.