Petróleo: escalada entre EUA e Irã podem elevar preços (Montagem com elementos Canva)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 07h10.
A escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo às máximas de 2026 e recolocou o risco geopolítico no centro do mercado global de energia. Após Washington afirmar que mantém a opção de uso da força diante do impasse nas negociações nucleares, os contratos dispararam e incorporaram novo prêmio de risco.
O WTI avançou mais de 4,5%, ou US$ 2,79, e fechou a US$ 65,05 por barril, maior alta diária desde 23 de outubro, segundo a Dow Jones Market Data. O contrato mais ativo se aproximou do nível mais elevado do ano e do topo da faixa observada nos últimos meses.
Em Londres, o Brent subiu US$ 1,11, ou 1,58%, para US$ 71,46 por barril. Ambos os referenciais ficaram próximos de máximas em seis meses após acumularem ganhos superiores a 4% na sessão anterior.
Segundo Phil Flynn, analista sênior da Price Futures Group, em entrevista ao site MarketWatch, preços em US$ 70 por barril podem indicar uma "fuga por medo”, associada à possibilidade de ação militar americana.
Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos não terão “outra escolha” senão agir caso o Irã reconstrua capacidades nucleares ou de mísseis. Na quarta-feira, 18, oficiais da Casa Branca afirmaram que o governo americano avalia novas opções de ataque e posiciona ativos militares na região.
O vice-presidente JD Vance declarou que Washington prefere resolver a questão por meio diplomático, mas reforçou que todas as alternativas permanecem disponíveis. A Casa Branca afirmou que houve algum avanço nas conversas realizadas em Genebra, porém reconheceu que as partes seguem distantes em temas centrais.
O foco do mercado recai sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo transportada por via marítima. Qualquer interrupção pode afetar o fluxo de exportações do Golfo Pérsico.
A mídia estatal iraniana informou que o país fechou o estreito por algumas horas na terça-feira, sem esclarecer se a navegação foi totalmente normalizada. O episódio elevou as preocupações sobre segurança na região.
Analistas do ING afirmaram que o temor do mercado envolve não apenas a oferta iraniana, mas também possíveis impactos mais amplos sobre os fluxos de petróleo no Golfo.
Relatos indicam que os Estados Unidos deslocaram navios de guerra para perto do Irã e ampliaram a presença aérea no Oriente Médio. O Irã emitiu um aviso aeronáutico (NOTAM) sobre lançamentos de foguetes no sul do país em 19 de fevereiro.
Para Pavel Molchanov, analista da Raymond James, parte do avanço recente reflete um aumento do prêmio de risco. Ele afirma que o valor justo do WTI, com base em oferta e demanda físicas, estaria entre US$ 55 e US$ 60 por barril.
"Sempre há um prêmio de risco no preço do petróleo, para dizer o óbvio, porque uma parcela considerável da oferta global de petróleo vem de regiões politicamente sensíveis do mundo", disse em entrevista ao MarketWatch.
A cotação próxima de US$ 65 incorporaria incerteza adicional ligada ao Irã e à possibilidade de novos ataques dos Estados Unidos.
Estimativas citadas por análises de mercado indicam que a instabilidade envolvendo o Irã adiciona cerca de US$ 3 a US$ 4 por barril aos preços atuais. Cenários que envolvam confronto direto com impacto sobre infraestrutura ou exportações poderiam levar o petróleo à faixa de US$ 80 a US$ 100 no curto prazo, dependendo da duração da disrupção.
Ainda assim, Molchanov considera improvável que os Estados Unidos tentem destruir a infraestrutura petrolífera iraniana. O governo Trump tem como prioridade declarada reduzir os preços de energia. Um ataque dessa natureza tenderia a elevar o barril de forma significativa por período prolongado.
Além da tensão geopolítica, dados de estoques contribuíram para sustentar os preços. Fontes de mercado citaram números do American Petroleum Institute indicando queda nos estoques de petróleo, gasolina e destilados na última semana, contrariando expectativas de alta de 2,1 milhões de barris em pesquisa da Reuters.
Sem interrupção concreta de oferta, analistas avaliam que os movimentos permanecem sensíveis a manchetes. Sinais de desescalada tendem a reduzir o prêmio geopolítico, enquanto novas ameaças ou movimentações militares ampliam a volatilidade.