Março deve quebrar uma sequência de oito meses seguidos de alta do Ibovespa. A bolsa brasileira começou 2026 em modo rali, e emplacou 13 recordes de pontuação. Impulsionado por fluxo estrangeiro, o mercado de ações local foi beneficiado pelo movimento de realocação global, que levou recursos até então represados nos Estados Unidos para os mercados emergentes.
O movimento, porém, perdeu fôlego com o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Como sintoma de um clássico movimento de aversão ao risco, bolsas em todo o mundo recuaram e não foi diferente por aqui. Mas houve exceções. Como um país fortemente exposto à commodities, o Brasil tem no petróleo o seu principal produto de exportação e a disparada no preço internacional da matéria-prima beneficiou um seleto grupo de empresas do Ibovespa — incluindo a segunda empresa de maior peso do índice.
Das 10 maiores altas do Ibovespa no mês, quatro são produtoras de petróleo e duas delas trabalham com distribuição de combustíveis. Confira abaixo.
Em março, um grupo de companhias concentrou os principais ganhos da B3, refletindo movimentos distintos — da alta do petróleo no cenário internacional ao avanço de agendas de privatização, passando por melhora de resultados operacionais. Veja o ranking abaixo:
- PRIO (PRIO3): Liderando o ranking, as ações da Prio (PRIO3) iniciaram o mês negociadas a 54,49 e avançaram 31,91% no período, atingindo R$ 71,88 e figurando entre os principais destaques de valorização da bolsa no intervalo, impulsionadas pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela alta das cotações internacionais do petróleo.
- Petrobras (PETR3 e PETR4): Em segundo lugar, está a Petrobras, com as ações ordinárias da (PETR3) e as ações preferenciais da (PETR4). Os papéis da PETR3 iniciaram o período cotadas a R$ 42,73 e registraram alta de 27,55%, chegando a R$ 54,50 ao longo do mês, impulsionadas pela melhora na percepção de risco e pela recuperação das expectativas para o setor de petróleo. Acompanhando o movimento positivo do setor, as ações da PETR4 iniciaram o período cotadas a R$ 39,33 e registraram valorização de 26,16%, alcançando R$ 49,62 ao longo do mês.
- PetroReconcavo (RECV3): Na terceira posição, as ações da PetroReconcavo (RECV3) iniciaram o mês cotadas a R$ 12,32 e registraram alta de 13,39%, alcançando R$ 13,97, acompanhando o movimento positivo das empresas independentes de petróleo diante da alta das cotações internacionais da commodity.
- SLC Agrícola (SLCE3): Em quarto lugar, as ações da SLC Agrícola (SLCE3) iniciaram o período cotadas a R$ 16,48 e registraram valorização de 13,05%, alcançando R$ 18,63 ao longo do mês, refletindo o desempenho positivo do setor agrícola e a melhora das expectativas para o ciclo de commodities.
- Eneva (ENEV3): Na quinta colocação, as ações da Eneva (ENEV3) iniciaram o mês cotadas a R$ 21,4 e registraram aumento de 12,06%, alcançando R$ 23,98, impulsionadas pelas expectativas em torno do leilão de capacidade do setor elétrico e pelo avanço recente da geração operacional e dos contratos de energia da companhia.
- UGPA3 (Ultrapar): Na sexta posição, as ações da Ultrapar (UGPA3) iniciaram o período cotadas a R$ 25,8 e registraram valorização de 9,34%, alcançando R$ 28,21 ao longo do mês, refletindo a repercussão positiva dos resultados recentes e a melhora na percepção operacional de suas principais unidades de negócios.
- MBRF (MBRF3): Em sétimo lugar, as ações da Minerva (BEEF3) iniciaram o mês cotadas a R$ 20,68 e registraram alta de 8,12%, alcançando R$ 22,36 ao longo de março, acompanhando o ciclo favorável das exportações brasileiras de carne bovina, que seguem sustentadas pela demanda internacional e por preços externos mais elevados.
- Brava (BRAV3): Na oitava posição, as ações da Brava Energia (BRAV3) iniciaram o período cotadas a R$ 18,64 e registraram valorização de 7,99%, alcançando R$ 20,13 em março, acompanhando o movimento positivo de outras petroleiras em meio à alta das cotações internacionais da commodity.
- Vibra (VBBR3): Em nono lugar, as ações da Vibra Energia (VBBR3) iniciaram março cotadas a R$ 29,92 e registraram aumento de 4,14%, alcançando R$ 31,16 ao longo do mês, refletindo a melhora recente das margens, o avanço de volumes e a recuperação de participação de mercado na distribuição de combustíveis.
- Copasa (CSMG3): Fechando o ranking, as ações da Copasa (CSMG3) iniciaram o período cotadas a R$ 54,70 e registraram valorização de 2,30%, alcançando R$ 55,96 ao longo de março, sustentadas pela combinação entre expectativa em torno do avanço da agenda de privatização, previsibilidade regulatória após a renovação de contratos relevantes e o perfil atrativo de distribuição de dividendos.