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Caged, balanço orçamentário e Jolts nos EUA: o que move os mercados

Inflação na Europa, dados de emprego e confiança nos EUA e indicadores fiscais no Brasil devem ditar o tom do pregão neste encerramento de mês

Agenda do mercado: no Brasil, a atenção está em indicadores relevantes sobre contas públicas, inflação ao produtor e mercado de trabalho (Jung Yeon-je / AFP/Getty Images)

Agenda do mercado: no Brasil, a atenção está em indicadores relevantes sobre contas públicas, inflação ao produtor e mercado de trabalho (Jung Yeon-je / AFP/Getty Images)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 31 de março de 2026 às 05h30.

Última atualização em 31 de março de 2026 às 13h41.

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Para esta terça-feira, 31, o mercado encerra o mês e o primeiro trimestre (1T26) em um pregão que tende a ser marcado por maior volatilidade, em meio ao tradicional ajuste de carteiras por parte de investidores e a uma agenda macroeconômica relevante, especialmente na Ásia e na Europa.

No cenário doméstico, os destaques ficam para a divulgação do resultado consolidado do setor público de fevereiro pelo Banco Central (BC), às 8h30, além do Índice de Preços ao Produtor - Indústrias Extrativas e de Transformação de fevereiro, que será divulgado às 9h pelo IBGE.

O mercado também acompanha a divulgação da geração de empregos formais do mês pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Esses indicadores são importantes para calibrar as expectativas sobre a atividade econômica e a trajetória da política monetária no país.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) publica às 10h15 o Indicador de Incerteza da Economia Brasil (IIE-Br) referente ao mês de março.

O que acompanhar no exterior

O mercado abre reagindo à divulgação de indicadores relevantes no Japão feitos nesta segunda-feira, 30.

O destaque fica para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Tóquio referente a março, que deve refletir os efeitos dos subsídios governamentais sobre combustíveis. Também serão divulgados a taxa de desemprego, os dados de produção industrial e as vendas no varejo do país, indicadores acompanhados de perto pelos investidores por sinalizarem o ritmo da atividade e da inflação na terceira maior economia do mundo.

No cenário internacional, o dado mais aguardado da madrugada será a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) industrial e de serviços da China, indicadores considerados termômetros relevantes da atividade econômica do país.

A leitura é acompanhada de perto pelos investidores porque, como principal parceiro comercial do Brasil, sinais de aceleração ou desaceleração da economia chinesa tendem a impactar diretamente os preços do minério de ferro e o desempenho de empresas exportadoras de commodities, como a Vale (VALE3).

O mercado busca avaliar se os estímulos recentes anunciados por Pequim já começam a produzir efeitos mais claros sobre o setor manufatureiro.

Na Europa, a agenda também começa cedo com a divulgação, às 3h, das vendas no varejo da Alemanha, indicador relevante para avaliar o ritmo da atividade econômica no principal motor industrial da região.

Já a França publica a prévia mensal e anual do IPC, além dos dados mensais e anuais do Índice de Preços ao Produtor (IPP), que ajudam a calibrar as expectativas inflacionárias na segunda maior economia da Zona do Euro.

No mesmo horário, o Reino Unido publica o Produto Interno Bruto (PIB) referente ao 4º trimestre de 2025. Na sequência, às 3h45, na França, o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos da França traz o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/CPI).

Às 6h será divulgada a prévia do IPC da Zona do Euro referente a março. Em fevereiro, o indicador havia registrado alta mensal de 0,6% e avanço anual de 1,9%, enquanto o mercado projeta aceleração para 2,5% na leitura anual desta divulgação. Já o núcleo do índice — que exclui alimentos e energia — avançou 0,8% no mês anterior e acumulou alta anual de 2,4%, com expectativa de estabilidade nesta nova leitura.

O dado é acompanhado de perto pelos investidores por servir como um dos principais termômetros para as apostas de corte de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). Uma inflação abaixo do esperado pode pressionar o euro e favorecer o desempenho das bolsas europeias, influenciando a percepção global ao risco.

Nos Estados Unidos, a agenda ganha força às 11h00 com a divulgação do índice de Confiança do Consumidor pelo Conference Board. Em fevereiro, o indicador marcou 91,2 pontos, enquanto a expectativa da Reuters aponta um recuo para 88,0 pontos em março, sinalizando possível moderação no ritmo do consumo.

No mesmo horário, é divulgada a Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotatividade de Pessoal (JOLTS, na sigla em inglês) de fevereiro, que mede o número de vagas abertas na economia norte-americana. A última leitura registrou 6,946 milhões de postos, e a projeção atual deve mostrar uma queda de 28 mil vagas, conforme a Reuters.

Também estão previstos os dados de preços de casas nos EUA e a divulgação do índice de atividade industrial (PMI, na sigla em inglês) de Chicago, cuja expectativa é de recuo para 55 pontos em março, segundo a Reuters, ante 57,7 no mês anterior.

Mais tarde, às 17h30, a American Petroleum Institute publica os dados semanais de estoques de petróleo bruto. Na última divulgação, os estoques apresentaram alta de 2,3 milhões de barris, indicador acompanhado de perto por investidores do setor de energia e pelos mercados de commodities.

Contas públicas, inflação e mercado de trabalho

No Brasil, a atenção está em indicadores relevantes sobre contas públicas, inflação ao produtor e mercado de trabalho.

Às 8h30, o Ministério da Fazenda divulga os dados do Balanço Orçamentário de fevereiro. Na última leitura, referente a janeiro, foi registrado superávit de R$ 40,062 bilhões. No mesmo horário, o mercado acompanha também o resultado do superávit primário do período, após saldo positivo de R$ 103,689 bilhões no mês anterior.

Também às 8h30, o BC publica a atualização das estatísticas fiscais. Na divulgação anterior, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) correspondeu a 65,0% do PIB, enquanto a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 78,7% do PIB. Os números são monitorados de perto pelo mercado diante do foco recente na trajetória fiscal e na meta de equilíbrio das contas públicas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) divulga às 09h o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de fevereiro. Na leitura anterior, o indicador registrou alta de 0,34%, sendo acompanhado como sinal antecedente da inflação ao consumidor.

Já às 14h30, o Ministério do Trabalho e Emprego publica os dados do Caged referentes a fevereiro. Em janeiro, o saldo foi positivo em 112,33 mil vagas formais, enquanto o mercado projeta criação de aproximadamente 270 mil postos de trabalho nesta divulgação.

Balanços

No front corporativo, a temporada de balanços de março se encerra com os resultados de empresas como a Nike (NKE), McCormick & Co. (MKC) e Buzzi Unicem SpA (BZZUY), além da Beyond Meat (BYND), que deverá registrar queda nas vendas do quarto trimestre, devido à fraca demanda por seus produtos de carne à base de plantas.

Os investidores estarão atentos a comentários sobre novos produtos, previsões anuais e demanda, além de uma atualização sobre a revisão de seus estoques, que atrasará a divulgação do relatório anual. No Brasil, é a vez de Kora Saude (KRSA3), Ambipar (AMBP3) e Simpar (SIMH3) divulgarem seus resultados financeiros.

Impacto do conflito no Oriente Médio

No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio chega ao 31º dia com novos ataques e risco crescente de escalada regional, apesar de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicando proximidade de um acordo. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado a oferta global de energia e levado o petróleo a superar novamente o patamar de US$ 100 por barril, em meio às ameaças ao Estreito de Hormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

As forças israelenses afirmaram ter realizado ataques contra infraestruturas militares em Teerã, enquanto sistemas de defesa foram acionados para interceptar mísseis lançados pelo Irã. Ao mesmo tempo, Teerã mantém ofensivas com drones e mísseis contra alvos em Israel e em países do Golfo que abrigam bases americanas.

O prolongamento das tensões eleva o risco inflacionário global, aumenta a volatilidade dos ativos e segue como um dos principais vetores de incerteza para investidores neste fim de trimestre.

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