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Petróleo dispara 2,3% com temor de bloqueio total do Estreito de Ormuz

Brent supera US$ 98 por barril nesta quarta-feira, 3, após escalada da guerra entre EUA e Irã

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 3 de junho de 2026 às 08h32.

O mercado de commodities opera sob forte aversão ao risco nesta quarta-feira, 3, com investidores acompanhando de perto a escalada da guerra entre Washington e Teerã. O barril do petróleo Brent para agosto avança 2,30%, cotado a US$ 98,21, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para julho sobe 2,35%, para US$ 95,96.

A nova alta dos preços ocorre após o Comando Central dos Estados Unidos confirmar que interceptou diversos mísseis balísticos e drones iranianos na última terça-feira, 2. Em resposta, os EUA realizaram ataques defensivos contra o Irã, aumentando os temores de uma escalada ainda mais intensa do conflito.

Investidores monitoram o risco de um bloqueio total do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global. Relatos da mídia estatal iraniana indicam que Teerã pode buscar o fechamento completo da passagem, cenário que provocaria um choque de oferta sem precedentes no mercado internacional.

Como está o cessar-fogo no Irã?

O cenário diplomático segue cercado por informações contraditórias, segundo informações divulgadas pela CNBC. O presidente Donald Trump disse que Washington continua engajada nas negociações.

Trump chegou a classificar como "fake news" as informações de que o diálogo teria sido interrompido. "As notícias falsas de que a República Islâmica do Irã e os EUA pararam de se comunicar há alguns dias são falsas e errôneas."

O secretário de Estado, Marco Rubio, pontuou também que "existe a possibilidade" do Irã "negociar aspectos de seu programa nuclear".

Já agências ligadas ao governo de Teerã, como Fars e Tasnim, informaram que as comunicações foram suspensas e que os negociadores deixariam de manter contatos indiretos com os EUA.

Guerra gera colapso de exportações

Analistas do Fitch Group alertam que a guerra já provocou uma ampla disrupção no setor de petróleo e gás da região, com colapso de exportações e danos bilionários à infraestrutura energética, cuja recuperação pode levar anos.

"Com base em nossa análise das interrupções na produção relacionadas ao conflito, dos prazos de reparo para ativos danificados e dos prazos de recuperação para campos fechados, avaliamos que o Catar, o Bahrein e o Iraque foram os países mais afetados pelo conflito", detalharam.

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