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Balanço da Tesla no 3º tri supera lucro esperado, mas gastos com IA disparam

Ganho por carro vendido supera previsões e caixa vem positivo em US$ 1,5 bilhão

Tesla: balanço da empresa de Elon Musk foi divulgado na noite desta quarta-feira (21) (VINCENT FEURAY / Colaborador/Getty Images)

Tesla: balanço da empresa de Elon Musk foi divulgado na noite desta quarta-feira (21) (VINCENT FEURAY / Colaborador/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 17h28.

Última atualização em 21 de outubro de 2026 às 18h51.

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  • A Tesla gerou US$ 1,5 bilhão em caixa livre no 3º trimestre; analistas projetavam queima de US$ 4,5 bilhões
  • A receita ficou estável, em US$ 28 bilhões, e o lucro ajustado por ação de US$ 0,48 superou os US$ 0,45 esperados
  • A margem dos carros sem créditos regulatórios subiu para 18,1%, acima dos 17% projetados
  • As despesas operacionais cresceram 39% em um ano, puxadas por IA e robótica, e o lucro contábil caiu 43%

O mercado se preparava para ver a Tesla queimar dinheiro no 3º trimestre de 2026. Os números divulgados nesta quarta-feira, 21, após o fechamento do mercado americano, mostraram outro cenário. A montadora de Elon Musk gerou US$ 1,5 bilhão de fluxo de caixa livre (o que sobra do dinheiro gerado pelas operações depois dos investimentos), enquanto o consenso compilado pela área de relações com investidores da companhia apontava saldo negativo de US$ 4,5 bilhões.

O restante do balanço confirmou boa parte do que se esperava, com vendas estagnadas, lucro menor e gastos crescentes com inteligência artificial e robótica.

Vendas estagnadas, serviços em alta

A receita somou US$ 28 bilhões, praticamente igual à do mesmo período de 2025 e em linha com as projeções. A receita com carros caiu 3%, para US$ 20,6 bilhões, com entregas 2% menores, de 486.532 veículos, e preço médio mais baixo.

A divisão de energia, que vende baterias gigantes para distribuidoras, parques solares e data centers, faturou US$ 2,9 bilhões, queda de 16%. Segundo a empresa, parte da retração se deve a reembolsos a clientes ligados a tarifas.

O crescimento veio de "serviços e outros", linha que reúne recarga, seguros e venda de peças. A receita do segmento subiu 33%, para US$ 4,6 bilhões, e o lucro bruto atingiu o recorde de US$ 734 milhões.

Margem dos carros sobe

O número mais vigiado pelo mercado era a margem bruta automotiva sem créditos regulatórios, que mostra quanto a Tesla lucra de fato com cada carro vendido. Os créditos regulatórios são vendidos a outras montadoras que não cumprem metas de emissão e vêm perdendo peso. Somaram US$ 113 milhões no trimestre, queda de 73% em um ano.

Sem eles, a margem foi a 18,1%, ante 15,4% um ano antes e acima dos cerca de 17% esperados. A empresa atribui a melhora a uma combinação mais favorável de regiões e modelos vendidos, que compensou o preço médio menor. A margem bruta total subiu de 18% para 19,6%, e o lucro bruto cresceu 9%, para US$ 5,5 bilhões.

Despesas com IA pesam no lucro

O ganho na margem, porém, não chegou à última linha. As despesas operacionais cresceram 39%, para US$ 4,8 bilhões. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento saltaram 69%, para US$ 2,8 bilhões, e as despesas administrativas e de vendas subiram 29%, para US$ 2 bilhões. A remuneração em ações a executivos e funcionários, que inclui o pacote de Musk aprovado em 2025, somou US$ 1,2 bilhão, alta de 76%.

Com isso, o lucro operacional caiu 56%, para US$ 718 milhões, e a margem operacional encolheu de 5,8% para 2,6%. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, uma medida da geração de caixa da operação) recuou 8%, para US$ 3,9 bilhões, com margem de 13,9%.

O lucro líquido pelo padrão contábil americano (GAAP) caiu 43%, para US$ 787 milhões, ou US$ 0,22 por ação. Pesou no resultado uma perda de US$ 142 milhões com a participação na SpaceX, que a Tesla atualiza conforme o valor de mercado. Excluindo esse efeito, a remuneração em ações e a variação de criptoativos, o lucro ajustado foi de US$ 1,7 bilhão, recuo de 4%. Por ação, ficou em US$ 0,48, contra US$ 0,50 um ano antes e US$ 0,45 projetados pela FactSet.

De onde veio o caixa

A geração de caixa das operações somou US$ 6,3 bilhões, o mesmo nível de um ano antes. Os investimentos mais que dobraram, para US$ 4,7 bilhões, mas ficaram bem abaixo dos US$ 7,8 bilhões previstos pelo consenso. O fluxo de caixa livre de US$ 1,5 bilhão ficou 62% abaixo do registrado no 3º trimestre de 2025, e o caixa total chegou a US$ 45,4 bilhões, alta de 9%.

Cerca de US$ 2,6 bilhões desse caixa vieram do capital de giro, o dinheiro que circula no dia a dia entre pagamentos a fornecedores, recebimentos de clientes e estoques.

A Tesla passou a pagar fornecedores mais tarde. O prazo médio de pagamento subiu de 52 para 66 dias em um ano. A empresa também recebeu mais dinheiro adiantado de clientes, e a receita diferida (valores já pagos por produtos ou serviços ainda não entregues, como pacotes de software) aumentou US$ 1,3 bilhão no trimestre. Esse efeito reforça o caixa do período, mas não vem do lucro da operação e pode se inverter quando as contas forem quitadas.

A Tesla prevê investir mais de US$ 25 bilhões em 2026. Até setembro, foram US$ 13 bilhões. Para cumprir a meta, o 4º trimestre precisaria concentrar cerca de US$ 12 bilhões.

As apostas além do carro

As assinaturas ativas do FSD (Full Self-Driving, sistema de direção assistida que ainda exige supervisão do motorista) chegaram a 1,74 milhão, alta de 67%. Na América do Norte, mais de 75% dos carros novos entregues saíram com o sistema. Na Europa, o FSD já está aprovado em nove países.

O Cybercab, carro autônomo sem volante, passou a rodar no serviço de robotáxi em Austin, no Texas, em 3 de setembro. A frota acumula quase 2 milhões de milhas sem supervisão, oito vezes mais que no fim do trimestre anterior.

Na energia, as instalações cresceram 10%, para 13,7 GWh, abaixo dos 15,9 GWh esperados. A empresa relata carteira de pedidos recorde e o início da produção da Megafactory Texas, com capacidade planejada de 50 GWh.

O trimestre também marcou o início da produção do robô humanoide Optimus, em Fremont, e do caminhão Semi, em Nevada, além do carro de número 10 milhões fabricado pela montadora.

Nos carros, a Tesla terminou setembro com a maior carteira de pedidos em quatro anos e diz que a falta de baterias continua sendo o limite para produzir mais. A produção subiu 4%, para 464.391 unidades.

Fusão fora do balanço

O documento não menciona a possível fusão com a SpaceX. Na véspera, durante a teleconferência de resultados da SpaceX, Musk confirmou que as duas empresas criaram comitês de conselheiros independentes para estudar a operação, mas disse que tratá-la como certa seria exagero. O tema ganhou força desde que a SpaceX incorporou a xAI, em fevereiro, movimento que tirou a Tesla do centro do império de Musk, e analistas avaliam as chances do negócio.

A ação da Tesla fechou a quarta feira a US$ 386,47, com alta de 3,41% no dia. No ano, o papel acumula queda de 11,8%.

No after market, após a divulgação do resultado e antes da teleconferência sobre o balanço, os papéis subiam pouco mais de 1%.

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