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IPCA-15, inflação nos EUA e balanço da Nvidia: o que mexe com os mercados hoje

A quarta-feira, 26, reúne os indicadores econômicos mais aguardados da semana

Agenda da quarta-feira (26): inflação e Nvidia são destaque (Ekin Kizilkaya/Getty Images)

Agenda da quarta-feira (26): inflação e Nvidia são destaque (Ekin Kizilkaya/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 05h00.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 07h16.

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O calendário econômico desta quarta-feira reúne ao menos três dos indicadores mais aguardados da semana: a leitura de agosto do IPCA-15, a prévia oficial da inflação brasileira, o índice de preços PCE nos Estados Unidos, medida de inflação preferida do Federal Reserve, e o balanço da Nvidia, termômetro do apetite global por inteligência artificial.

IPCA-15 no centro das atenções no Brasil

No Brasil, o IPCA-15 de agosto é o dado mais aguardado. Em julho, a prévia havia registrado alta de apenas 0,06%, o menor resultado do ano, e o consenso do mercado projeta variação próxima desse patamar para agosto. No acumulado de 2026 até julho, o índice cheio soma 3,51%, dentro do intervalo perseguido pelo Banco Central. Uma leitura comportada pode alimentar apostas de corte de juros mais adiante.

PCE americano pode mexer com o Fed

Nos Estados Unidos, o núcleo do PCE de julho ocupa o centro das atenções. O indicador vinha acelerando desde março, atingiu o pico de 4,1% em maio e desacelerou para 3,7% em junho. O mercado projeta o núcleo anual em 3,3% na leitura de julho. A trajetória interessa diretamente ao Fed e qualquer surpresa altista tende a pressionar os rendimentos dos Treasuries e o dólar.

O teste da Nvidia

O terceiro pilar do dia é corporativo. Depois do fechamento do mercado americano, a Nvidia divulga o resultado do segundo trimestre de seu ano fiscal de 2027. A companhia é a maior do mundo em valor de mercado, com US$ 5,2 trilhões, e responde por cerca de 7,3% do S&P 500. Analistas de Wall Street esperam receita ajustada de US$ 92,07 bilhões, crescimento de quase 97% na comparação anual, e lucro por ação de US$ 2,09.

O peso da Nvidia vai além dos seus próprios números. A empresa fornece a maior parte das unidades de processamento gráfico que sustentam o boom de inteligência artificial e passou a atuar para financiar o próprio setor. Documentos regulatórios recentes revelaram que a companhia destinará US$ 105 bilhões para ajudar a OpenAI a erguer um data center em Ohio, e a fabricante também aderiu a um memorando com grandes bancos para securitizar GPUs e viabilizar crédito a projetos de data center.

A dificuldade é que a régua já está alta. A casa de análise BeSpoke classifica a Nvidia como uma "tríplice campeã", que costuma superar as estimativas de lucro, receita e projeção em praticamente todos os trimestres. Superar o consenso, portanto, pode não bastar para animar as ações. Investidores vão observar também as margens brutas, na casa dos 75%, e a demanda pela nova geração de chips Vera Rubin.

Geopolítica no radar: Oriente Médio e guerra comercial

No pano de fundo geopolítico, dois focos merecem atenção. No Oriente Médio, Irã e Omã discutiram nesta terça-feira a criação de um corredor temporário de navegação pelo Estreito de Ormuz e uma operação para remover minas do trecho, por onde escoa parte relevante do petróleo global. O chanceler omanense afirmou considerar as conversas construtivas e sinalizou que arranjos para restabelecer a navegação segura devem ser anunciados em breve, embora uma solução permanente ainda dependa de novas rodadas.

Do outro lado, a guerra comercial de Donald Trump ganhou novo capítulo. O Canadá anunciou tarifas retaliatórias sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos, espelhando as taxas de 50% impostas por Washington após o colapso das negociações no fim de semana. As sobretaxas canadenses variam de 15% a 50% e atingem mais de 700 itens, incluindo aço e alumínio, com vigência prevista para 8 de setembro. O escalonamento reacende preocupações com custos e incerteza para as cadeias produtivas.

Mercados locais e Wall Street

Nos mercados locais, o Ibovespa fechou o pregão de 25 de agosto em alta de 1,55%, aos 174.576 pontos, na quinta sessão seguida de ganhos, sustentado por papéis de varejo, construtoras e incorporadoras. Magazine Luiza (+8,89%), Assaí (+8,18%) e Cury (+7,49%) lideraram as altas. A Petrobras caiu mais de 2%, acompanhando o recuo do petróleo no exterior, mas o desempenho da estatal não impediu a valorização do índice. A Braskem (BRKM5) perdeu mais de 13% e deixou de integrar o Ibovespa e outras carteiras da B3 a partir do fechamento de hoje, após a companhia ser classificada sob o título de "Recuperação Extrajudicial". O dólar recuou 0,25%, a R$ 5,13.

Em Nova York, os índices fecharam no azul pelo segundo pregão consecutivo de recuo dos juros dos Treasuries, com um rali das ações de semicondutores na véspera do balanço da Nvidia. O Dow Jones subiu 0,3%, aos 53.577,40 pontos, o S&P 500 ganhou 0,32%, aos 7.677,28 pontos, e o Nasdaq avançou 0,66%, aos 26.151,30 pontos. Do lado negativo, papéis de varejo pesaram, com a Dick's Sporting Goods desabando 30% após resultados decepcionantes.

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