Ibovespa: índice opera em queda nesta terça-feira, 25. (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 11h08.
O Ibovespa perdeu fôlego nesta terça-feira, 25, pressionado pela queda do petróleo no exterior e pelo desempenho negativo de ações ligadas às commodities. Às 11h02 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,22%, aos 171.534,30 pontos. O dólar comercial caía 0,08%, cotado a R$ 5,1486.
Entre as principais blue chips, Petrobras operava em forte baixa pelo segundo dia seguido, com queda de 1,5% nas ações preferenciais (PETR4) e de 1,62% nas ordinárias (PETR3).
No campo positivo, as ações de construtoras e incorporadoras se destacavam. A Direcional (DIRR3) liderava os ganhos do índice, com alta de 2,73%, seguida por Cury (CURY3), que avançava 2,34%, e Cyrela (CYRE3), com valorização de 1,63%.
Fora do Ibovespa a partir de hoje, Braskem (BRKM5) tem um segundo dia de forte baixa, recuando 5%. A companhia será excluída de uma série de índices da B3 após entrar em recuperação extrajudicial.
Yduqs (YDUQ3), com recuo de 4,05%, devolvia parte dos ganhos da véspera, motivados pela possível combinação de negócios com a Afya. Hapvida (HAPV3) caía 3,46%.
No cenário doméstico, o principal destaque é a piora da confiança dos consumidores. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos. É o menor nível desde novembro de 2022 e a quarta queda consecutiva do indicador. Na média móvel trimestral, o índice recuou 1,4 ponto, para 87,2 pontos.
De acordo com a economista do FGV Ibre, Anna Carolina Gouveia, a piora reflete uma percepção mais negativa das famílias sobre o momento atual e as perspectivas para a economia. O cenário de juros elevados, endividamento e inadimplência também pesa sobre as decisões de consumo.
Em Brasília, o mercado também acompanha as discussões do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central. O comunicado da reunião será divulgado na quarta-feira.
Os preços do petróleo caem mais de 2% hoje, com o mercado reagindo à mudança da estratégia dos Estados Unidos em relação ao Irã. Washington vem priorizando sanções econômicas em vez de uma nova ofensiva militar contra o país.
O West Texas Intermediate (WTI, referência de preços nos EUA) recuava 2,85%, a US$ 82,59 por barril, enquanto o Brent (parâmetro global) caía 2,83%, a US$ 89,56. Com o movimento desta terça, a commodity acumula queda superior a 5% na semana.
Os EUA anunciaram novas sanções contra o Irã e empresas e países que continuam negociando com o país. A possibilidade de uma escalada militar, porém, não foi completamente descartada pelo governo americano.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a estratégia de pressão econômica reduz a possibilidade de uma retomada de um conflito de grandes proporções no curto prazo. Ao mesmo tempo, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que novas ações militares continuam sobre a mesa caso sejam necessárias.
Nos EUA, os índices acionários operam em alta, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuam pelo segundo dia consecutivo. O Dow Jones subia 0,3%, enquanto o S&P 500 avançava 0,3% e o Nasdaq ganhava 0,7%.
A Treasury de dez anos recuava para 4,658%. O movimento ocorre após uma queda nos juros dos títulos na segunda-feira, em meio à possibilidade de o Departamento do Tesouro utilizar sua conta geral, de cerca de US$ 1 trilhão, para recomprar títulos.
As ações de semicondutores também se destacam antes da divulgação do balanço da Nvidia, prevista para quarta-feira após o fechamento do mercado. AMD e Micron subiam cerca de 3% cada, enquanto Intel avançava mais de 2%. A Nvidia ganhava mais de 1%.
Além dos resultados da companhia de chips, os investidores aguardam o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) de julho, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), que será divulgado na quarta-feira, 26.
As bolsas europeias operam majoritariamente em alta. O Stoxx 600 avançava 0,31%, enquanto o DAX, de Frankfurt, subia 0,65%. O CAC 40, de Paris, ganhava 0,17%, e o FTSE MIB, de Milão, avançava 0,39%. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, recuava 0,16%.
Os setores de tecnologia, varejo e viagens lideravam os ganhos, enquanto as montadoras pressionavam o mercado após o presidente Donald Trump ameaçar impor tarifas de 50% sobre veículos e peças automotivas canadenses a partir do próximo ano.
A economia alemã, por sua vez, mostrou desempenho ligeiramente melhor do que o inicialmente estimado. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026, ante o trimestre anterior, acima da leitura preliminar e da expectativa de analistas, ambas de 0,2%.
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em alta, em sua maioria. O Nikkei, do Japão, subiu 0,50%, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,68%. Na Índia, o Nifty 50 ganhou 0,48%.
Na China, o Shanghai Composite subiu 0,19%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, ficou praticamente estável, com baixa de 0,02%.