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Ibovespa sobe com o apoio de ações dos bancos; dólar cai

Alívio nas commodities e nos juros futuros sustenta a alta do índice, que se aproxima dos 170 mil pontos

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 22 de junho de 2026 às 11h08.

Última atualização em 22 de junho de 2026 às 12h35.

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O Ibovespa iniciou a semana no campo positivo em meio ao alívio nos preços do petróleo e nos juros futuros. Por volta das 11h, o principal índice acionário da B3 subia 0,86%, aos 169.840 pontos nesta segunda-feira, 22, repercutindo também o Boletim Focus, divulgado mais cedo, que elevou novamente as projeções para inflação e taxa Selic no ano.

A melhora do humor externo também é favorecida pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, o que ajuda os ativos de risco. No mesmo horário, o dólar comercial recuava 0,34%, negociado a R$ 5,146, acompanhando a melhora do apetite por risco no exterior e a valorização de moedas emergentes.

Dos 78 papéis que compõem o índice são as ações do setor financeiro que sustentam a alta. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) sobem mais de 2%, assim como as Bradesco (BBDC4), que sobem 1,55% e as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 1,39%. As units do BTG (BPAC11) e Santander (SANB11) também avançam 3,71% e 0,37%, respectivamente.

Já os pesos-pesados do índice, Vale (VALE3) e as preferenciais da Petrobras (PETR4) operam estáveis com ligeira alta de 0,01%, no caso da mineradora, e leve queda de 0,05%, na estatal. Por outro lado, os papéis ordinários da petrolífera (PETR3) caem 0,72%.

O destaque positivo é a Azzas 2154 (AZZA3), que disparava mais de 8%, seguida por Yduqs (YDUQ3), 4,73%; BTG Pactual, do mesmo grupo controlador da EXAME, e Hapvida (HAPV3), 2,81%. Na ponta negativa, estão Braskem (BRKM5); Suzano (SUZB3) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) que perdem mais de 1%.

Repercussão do Boletim Focus

Investidores repercutem a divulgação do Boletim Focus. Os economistas elevaram pela 15ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,30% para 5,33%.

Para 2027, a estimativa avançou de 4,10% para 4,15%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 ficaram em 3,70% e 3,50%, respectivamente. O mercado também revisou para cima a expectativa para a taxa Selic em 2026, de 13,75% para 14%.

Um dos temas acompanhados pelos investidores é a viagem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à China. Ele discutirá a possibilidade de emissão dos chamados "panda bonds", títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras diretamente no mercado doméstico chinês e denominados em yuan.

Mercado avalia impacto externo

O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, avalia que a melhora do sentimento internacional precisa ser acompanhada por fatores domésticos mais positivos, como perspectivas de queda de juros e retomada intensa do fluxo estrangeiro.

"Hoje, o investidor vê uma janela positiva no exterior, mas ainda não encontra no Brasil um gatilho doméstico forte o suficiente para aumentar risco de forma mais agressiva", afirmou à EXAME.

Petróleo perde força com EUA-Irã

Os preços do petróleo ampliam as perdas após avanços nas negociações entre EUA e Irã reduzirem os temores sobre interrupções na oferta global. O Brent, referência internacional, recua 2,65%, para US$ 77,93 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) cai 2,27%, negociado a US$ 74,13.

Mais cedo, a commodity chegou a superar US$ 82 por barril após ameaças do presidente Donald Trump de retomar operações militares contra o Irã e diante do anúncio iraniano sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.

Segundo o analista do UBS, Giovanni Staunovo, ouvido pela Reuters, o avanço das conversas na Suíça é o principal fator por trás da queda dos preços. Além disso, a perspectiva de aumento da oferta também contribui para o recuo das cotações.

Bolsas internacionais em diferentes direções

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançava 0,36%, enquanto o Dow Jones subia 0,48%. Já o Nasdaq Composite rondava a estabilidade com ligeira alta de 0,10%, com investidores avaliando os desdobramentos geopolíticos e aguardando novos indicadores de inflação que podem influenciar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).

Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em direções mistas. O índice Nikkei 225, do Japão, renovou máxima histórica ao subir 1,55%, aos 72.353,96 pontos. Na China continental, o CSI 300 avançou 2,39%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,63%. Na Coreia do Sul, o Kospi registrou alta de 0,69%.

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,43%, aos 638,34 pontos. Entre as principais bolsas da região, o alemão DAX subia 0,35%, enquanto o britânico FTSE 100 ganhava 0,60%. Na contramão, o francês CAC 40 recuava 0,30% e o italiano FTSE MIB caía 0,31%.

Os investidores por lá acompanhavam os desdobramentos políticos no Reino Unido após o anúncio da renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer, além da divulgação de indicadores econômicos ao longo da semana.

O que acompanhar ao longo do dia

A agenda hoje traz. ainda, novos indicadores para os mercados globais. Às 11h, a União Europeia divulga o índice de confiança do consumidor de junho.

Nos EUA, haverá leilões de títulos do Tesouro, Treasuries, com vencimentos de três e seis meses às 12h30.

Mais tarde, a Argentina publica sua taxa de desemprego do primeiro trimestre, enquanto a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) divulga o relatório semanal de posições líquidas de especuladores.

À noite, investidores acompanham os índices de atividade do Japão, incluindo os Purchasing Managers' Index (PMIs) industrial, de serviços e composto.

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