Após a referência acionária do mercado local avançar 1,1% na terça, 6, e fechar a apenas 0,48% da máxima histórica, o indicador recuava 1%, aos 162.030 pontos, às 12h01 (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 12h02.
Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 18h17.
Depois de encostar em um novo recorde na véspera, o Ibovespa devolve parte dos ganhos nesta quarta-feira, 7, e registra queda, pressionado pelo recuo da maioria das ações — em especial dos grandes bancos, que têm peso relevante no índice.
Após a referência acionária do mercado local avançar 1,1% na terça, 6, e fechar a apenas 0,48% da máxima histórica, o indicador recuava 1%, aos 162.030 pontos, às 12h01.
Até o momento, as ações da Cogna (COGN3) estão entre as únicas três alta do dia, destoando do movimento negativo de 63 dos 83 papéis que compõem o índice.
Segundo Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, a alta está atrelada ao relatório do JPMorgan, divulgado nesta quarta, que elevou para compra as ações da empresa do setor de educação, que mais se valorizaram em 2025. O banco apontou forte potencial de crescimento em 2026 e valuations atrativos, estabelecendo o preço-alvo em R$ 6,50.
"Sempre que tem uma recomendação de compra, principalmente de um banco estrangeiro, há uma certa elevação por conta do apetite do mercado. O preço-alvo de Cogna foi colocado em R$ 6,50 e a Cogna está com R$ 3,50 de valor de face. Então é um preço-alvo muito acima, que cita uma perspectiva de crescimento da empresa e do setor de educação no ano de 2026", afirmou Sant'Anna.
Por outro lado, o banco norte-americano rebaixou Yduqs (YDUQ3) para neutro, devido ao valuation relativamente elevado, o que levou os papéis da companhia para a maior queda do dia, com recuo de 5,50%.
"O JP MOrgan citou preocupações com a relação risco-retorno e a capacidade de entrega dos resultados projetados. O movimento evidencia a rotação interna dentro do setor de educação, com investidores migrando para ativos considerados mais descontados", afirmou o CEO da Sttart Pay, Carlos Henrique.
Os papéis de Embraer (EMBJ3) sobem 2,22%, assim como Raízen (RAIZ4) e Cosan (CSNA3), as únicas quatro altas do dia.
O Ibovespa é pressionado negativamente pelo recuo dos grandes bancos que, após duas altas seguidas, passaram a cair na sessão de hoje. No setor, a queda é liderada pelas units, cesta de ordinárias e preferenciais, do Santander (SANB11), que recuam 1,80%. Os papéis da instituição financeira estendem as perdas da sessão passada, quando foram os únicos a caírem.
"Os bancos estão operando em queda também por conta da realização do movimento de alta dos últimos dois dias. O mercado está de olho em Brasília, nosso case eleitoral já começou, temos o Banco Master, muita confusão, então os investidores que estão com 1%, 2%, 3% e 4% acabam realizando um pouco. O índice financeiro, o IFNC, está em queda", afirmou o especialista da Axia Investimentos.
Mesmo com o disparo do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China, a Vale (VALE3) também oscila entre altas e baixas. Por volta das 11h40, os papéis da mineradora registravam leve alta de 0,11%, o que impede uma queda maior no Ibovespa, uma vez que a empresa tem uma participação de 11,14%.
A tensão política na Venezuela provocada pela invasão dos Estados Unidos ao país, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro permanece no radar dos agentes financeiros, principalmente por conta dos impacto no setor do petróleo.
Nesta terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou a indústria venezuela deverá fornecer entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos americanos. A perspectiva de aumento da oferta da commodity venezuelana acende um sinal de alerta para as petrolíferas.
A maior queda do setor, até o momento, são das ações da Brava Energia (BRAV3), que caem 4,20%. Já as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), que abriram em queda, oscilam entre a estabilidade e leve alta de 0,13%, respectivamente.
As ações da C&A (CEAB3) também recuam fortemente, com queda de 4,21%. Segundo operadores, o recuo tem por trás a indicação de que as vendas no quarto trimestre de 2025 ficaram praticamente estáveis.
"O desempenho frustrou expectativas de crescimento e foi atribuído a um ambiente competitivo mais intenso e a um fluxo mais fraco de consumidores nos shoppings, sinalizando desafios adicionais para o setor de varejo no início do ano", disse Carlos Henrique.
Já o dólar à vista, que abriu o dia estável, passou a subir após a divulgação dos dados de emprego do setor privado nos Estados Unidos, o ADP. O indicador revelou a abertura de 41 mil vagas em dezembro, abaixo da expectativa de 48 mil. O mercado também aguarda a divulgação do relatório Jolts de novembro.
Segundo o CEO da Sttart Play, o movimento de alta da moeda norte-americana reflete o aumento da aversão ao risco no cenário internacional, diante de indicadores econômicos mais fracos nos Estados Unidos e do recrudescimento de incertezas geopolíticas.
"A leitura dos dados do ADP reforça sinais de desaceleração do mercado de trabalho e sustenta a percepção de que o aperto monetário promovido pelo Federal Reserve começa a produzir efeitos mais claros sobre a atividade econômica, abrindo espaço para discussões sobre cortes de juros ao longo de 2026", concluiu.