Ibovespa cai com ruídos políticos, mas Wall Street ameniza as perdas

Ata do FOMC impulsionou bolsas americanas e limitou as perdas do principal índice local
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
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Guilherme Guilherme e Beatriz Quesada

Publicado em 23/11/2022 às 10:45.

Última atualização em 23/11/2022 às 18:38.

O Ibovespa fechou esta quarta-feira, 23, em queda, com investidores atentos ao risco político. O principal índice da B3, no entanto, se afastou das mínimas e fechou em baixa de 0,18%, aos 108.841 pontos, após chegar a cair 1,04% mais cedo.

O dólar, por sua vez, encerrou o dia próximo à estabilidade após atingir, na máxima do dia, o patamar de R$ 5,41. 

  • Ibovespa: - 0,18%, 108.841 pontos
  • Dólar: - 0,1%, R$ 5,373

A desaceleração das perdas ocorreu em linha com as bolsas americanas. Por lá, os principais índices subiram após  onde os índices acionários subiram após ata do FOMC, o Comitê de Política Monetária do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed).

A ata não trouxe novidades, o que acalmou os investidores. Os membros do Fed afirmaram que seria oportuno desacelerar o ritmo de elevação dos juros à medida que a política monetária se aproximasse de uma postura suficientemente restritiva – o que indicou um posicionamento mais dovish (favorável a juros mais baixos) do que o esperado.

O resultado foi um dia de ganhos para as bolsas americanas.

A virada no exterior, no entanto, não conseguiu eclipsar completamente os ruídos locais.  Investidores precificam o aumento das incertezas após o Partido Liberal (PL), do presidente Jair Bolsonaro, levantar questionamentos sobre o processo eleitoral na véspera. O PL tenta invalidar 279.336 urnas por supostas "desconformidades de mau funcionamento". O TSE deu 24 horas para que o partido forneça as informações detalhadas sobre as alegações.

"Qualquer questionamento ao processo eleitoral é negativo. As 24 horas se completam hoje. Mas o mais importante é se concentrar na discussão do fiscal, da PEC de Transição", disse Leonardo Paiva, economista do BTG Pactual.

A expectativa era de que o texto final da PEC fosse apresentado nesta quarta, mas Gleisi Hoffmann, presidente do PT, já disse que o governo tem até sexta-feira para enviar a PEC ao Senado, para tramitação a partir da próxima semana. Na minuta da PEC entregue pela equipe de transição na semana passada, previa-se cerca de R$ 200 bilhões extra-teto, com o Bolsa Família deixado de fora do teto por tempo indeterminado.