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O que aconteceu com a Motorola? Empresa agora intercepta drones

Longe dos smartphones da Lenovo, a Motorola Solutions amplia presença em um mercado que pode triplicar de tamanho até 2031

A Motorola Mobility ficou com o negócio de celulares e acabou sendo adquirida pela Lenovo. (Magnific)

A Motorola Mobility ficou com o negócio de celulares e acabou sendo adquirida pela Lenovo. (Magnific)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 8 de junho de 2026 às 05h00.

Quem teve um Razr V3 nos anos 2000 provavelmente se lembra da Motorola como a empresa do celular de flip que virou símbolo de status. Antes disso, ela já havia entrado para a história ao criar o primeiro telefone celular portátil do mundo, em 1973.

Agora, mais de meio século depois, a marca segue em evidência — mas em um mercado completamente diferente.

A Motorola Solutions anunciou recentemente a compra da startup israelense D-Fend Solutions por US$ 1,5 bilhão. O alvo da aquisição não produz smartphones nem dispositivos para consumidores. Sua especialidade é outra: interceptar drones hostis.

A operação mostra como a empresa se transformou desde os tempos em que disputava mercado com Nokia e Sony Ericsson. Hoje, a Motorola Solutions atua em áreas como comunicação crítica, segurança pública, defesa e infraestrutura tecnológica para governos e grandes organizações.

A mudança tem uma explicação. Em 2011, a antiga Motorola foi dividida em duas companhias. A Motorola Mobility ficou com o negócio de celulares e acabou sendo adquirida pela Lenovo. Ela, inclusive, segue apostando nos modelos dobráveis. Nos Estados Unidos, a fabricante responde por 50% do setor, enquanto na América Latina a participação chega a 55%, segundo dados da International Data Corporation, a IDC, empresa de pesquisa de mercado.

Já a Motorola Solutions permaneceu com as áreas corporativas e de segurança, mantendo inclusive o tradicional logotipo do "M" estilizado.

Agora, a empresa amplia sua presença em um setor que ganhou relevância em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à popularização dos drones.

A corrida global contra drones hostis

A D-Fend foi fundada em 2016 e desenvolve uma tecnologia diferente da maioria dos sistemas antidrones disponíveis atualmente.

Em vez de bloquear sinais ou derrubar aeronaves, a plataforma assume o controle do equipamento em pleno voo por meio de ondas de rádio. O objetivo é pousar o drone de forma segura, minimizando riscos para pessoas, estruturas e sistemas de comunicação próximos.

Seu principal produto, o EnforceAir, já é utilizado em mais de 30 países, incluindo integrantes da Otan. Nos Estados Unidos, a tecnologia é usada por órgãos como os departamentos de Segurança Interna, Defesa e Justiça.

A crescente preocupação com drones deixou de ser uma questão apenas militar e passou a envolver aeroportos, data centers, redes de energia, refinarias e outras infraestruturas consideradas estratégicas.

Nos últimos anos, ataques envolvendo drones passaram a fazer parte da rotina de conflitos internacionais. Episódios recentes ligados à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã reforçaram a percepção de que esses equipamentos podem causar danos relevantes mesmo com custos relativamente baixos.

Ao mesmo tempo, governos vêm ampliando seus investimentos em tecnologias capazes de detectar, rastrear e neutralizar essas ameaças.

A aquisição ocorre em um momento de forte expansão do setor. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de tecnologias antidrones foi avaliado em US$ 2,47 bilhões em 2026 e pode atingir US$ 8,42 bilhões até 2031.

Nos Estados Unidos, o avanço também foi impulsionado pelo Safer Skies Act, legislação aprovada no ano passado que permite que policiais estaduais e locais certificados interceptem e pousem drones não autorizados.

Para Greg Brown, presidente-executivo da Motorola Solutions, a simples detecção já não basta.

"Os drones hostis transformaram nossos céus em um cenário de risco imprevisível", afirmou o executivo em comunicado.

A D-Fend registrou crescimento superior a 50% ao ano nos últimos três exercícios. A expectativa é que a empresa gere cerca de US$ 185 milhões em receita em 2026.

O fechamento da aquisição está previsto para o quarto trimestre deste ano.

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