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Ibovespa acompanha queda da Vale com investidores atentos à PEC da Transição

Dados fracos da China e revisão nas projeções derrubam mineradora; PEC da Transição chega ao Senado

Painel de cotações da B3: Ibovespa recua puxado por papéis da Vale (VALE3) (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3: Ibovespa recua puxado por papéis da Vale (VALE3) (Germano Lüders/Exame)

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Guilherme Guilherme e Beatriz Quesada

7 de dezembro de 2022, 18h21

O Ibovespa fechou esta quarta-feira, 7, em queda puxado para baixo pelas ações da Vale – ação com maior peso na carteira teórica do índice. O mercado também ficou em compasso de espera, buscando entender qual será o rumo das negociações da PEC da Transição no Senado. Tudo isso em dia de decisão de política monetária do Copom –  a última do ano.

  • Ibovespa: - 1,02%; 109.068 pontos

Vale em trajetória de queda

As ações da Vale caíram mais de 3% e foram a principal influência negativa do Ibovespa nesta quarta-feira. Um dos motivos para a queda vem da China, principal importador de minério de ferro.

O gigante asiático divulgou dados piores que o esperado para sua balança comercial. O volume de importação da China teve uma queda anual de 10,6% em novembro, mais que o dobro da queda esperada de 5% para o período. Já a exportação caiu 8,7% ante o consenso de 3,6% de queda.

Além das pressões da China, as ações da Vale ainda sentiram os efeitos da revisão de projeção (guidance) feita pela companhia e divulgada nesta manhã. 

A nova projeção considera que a produção de cobre deste ano ficará próxima de 260 mil toneladas ante a estimativa anterior de que ficasse entre 270 e 285 mil toneladas. Para o minério de ferro, a Vale espera encerrar o ano com a produção de 310 milhões de toneladas, no menor patamar da banda anterior, de 310 a 320 milhões de toneladas. 

Investidores também digeriram o encontro anual de investidores da Vale, realizado nesta quarta.

Leia também: Vale vai separar metais básicos e vender fatia até meados de 2023

Dólar cai com PEC no radar

Apesar da maior cautela na bolsa, o câmbio refletiu alguma melhora da percepção fiscal. O dólar caiu para R$ 5,20, em seu segundo dia consecutivo de queda acompanhando, também, o movimento internacional da moeda.

  • Dólar: - 1,21%, R$ 5,205

Na véspera, o mercado brasileiro teve dia positivo, com a desidratação da PEC da Transição ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto chega ao plenário do Senado nesta quarta com o valor para o Bolsa Família reduzido de R$ 175 bilhões para R$ 145 bilhões e com prazo estabelecido para a apresentação de uma nova âncora fiscal para substituir o teto de gastos.

"O mercado ainda deve reagir muito às negociações da PEC. Sinalizações de que os valores serão reduzidos devem levar o mercado a reagir positivamente", disse Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos.

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Maiores altas e baixas do Ibovespa

Das 92 ações do Ibovespa, mais da metade encerrou o dia em queda. As maiores baixas ficaram com varejistas e papéis ligados ao minério de ferro e ao petróleo. 

  • Magazine Luiza (MGLU3): - 5,77%
  • Prio (PRIO3): - 5,69%
  • Petz (PETZ3): - 4,07%
  • Vale (VALE3): - 3,56%
  • Bradespar (BRAP4): - 3,09% 

No caso do petróleo, a commodity chegou a atingir seu nível mais baixo desde o início do ano depois que dados dos EUA mostraram um aumento inesperado nos estoques de combustível. 

A notícia alimentou temores de que a demanda pelo petróleo pode cair, derrubando as ações. Vale lembrar que as quedas também foram fortes na véspera. Prio, por exemplo, já havia recuado 3,5% na véspera e nesta quarta ficou entre as maiores baixas do Ibovespa. Petrobras e 3R Petroleum também fecharam em queda.

“Com guerra entre Ucrânia e Rússia e preocupações em relação à recessão, existe previsão de petróleo cair até 50%, então vemos a commodity caindo fundo hoje”, avalia Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos.

  • 3R Petroleum (RRRP3): - 2,03%
  • Petrobras (PETR3): - 1,51%
  • Petrobras (PETR4): - 1,13%

Na ponta positiva, Azul ficou entre os maiores ganhos do dia, assim como CVC e Gol. Nesta quinta, a Azul realizou seu “investor day”, encontro com analistas e investidores. A empresa projetou que, no próximo ano, seu principal indicador de caixa, o Ebitda, teve chega a R$ 5 bilhões contra R$ 3 bilhões projetados para este ano.

A liderança das altas, no entanto, ficou com a BRF. Na véspera, o setor de frigoríficos recuou em bloco com temores de reversão do ciclo da pecuária nos Estados Unidos. Hoje, os papéis de BRF e JBS se recuperaram.

“Temos um movimento de correção das últimas quedas no setor e também redução das restrições na China, país que é grande consumidor de carnes e derivados do Brasil”, completa Cohen.

Copom toma última decisão do ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil toma hoje sua última reunião de política monetária do ano. A decisão será divulgada após o fechamento do mercado, e deve indicar os próximos passos para a trajetória da taxa básica de juros da economia, a Selic.

A expectativa dos agentes financeiros é que o Copom mantenha a Selic em 13,75% ao ano. Embora o quadro fiscal ainda esteja indefinido, os agentes do mercado estimam que os riscos não são fortes o suficiente para que o Copom reveja o curso de manutenção da taxa de juros. O BC, no entanto, deve endereçar a alta dos riscos fiscais em seu comunicado.