Ibovespa hoje: bolsa não acompanha rali do exterior e fecha no zero a zero

Expectativa de que bancos centrais terão que ser menos agressivos em aperto monetário motiva novas altas no mercado internacional
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
G
Guilherme Guilherme e Beatriz Quesada

Publicado em 04/10/2022 às 10:36.

Última atualização em 04/10/2022 às 17:17.

Depois da disparada, veio a calmaria. O Ibovespa fechou o pregão perto da estabilidade nesta terça-feira, 4, após disparar 5,5% no pregão da véspera, pós-eleições. O principal índice da B3 abriu o dia com fortes ganhos, acompanhando o rali no exterior, e chegou a operar acima dos 117.000 pontos pela primeira vez desde abril. Ao longo da tarde, no entanto, o Ibovespa perdeu força e corrigiu para baixo.

No exterior, os índices de ações saltaram mais de 3% nos Estados Unidos, enquanto a alta na Europa chega a superar 4% em algumas bolsas, como a de Paris. A disparada de bolsas internacionais fez parte de um movimento de recuperação frente aos dois últimos meses, marcados por duras perdas em meio à expectativa de juros mais altos nas maiores economias – além da ameaça de recessão.

  • Dow Jones (Nova York): + 2,48%
  • S&P 500 (Nova York): + 2,73%
  • Nasdaq (Nova York): + 3,01%
  • CAC 40 (Paris): + 4,24%
  • Stoxx 600 (Europa): + 3,12%

Ontem e hoje, as bolsas americanas avançaram à medida que a curva de juros fechou no país. O rendimento do Tesouro de 10 anos é negociado na casa dos 3,62% nesta terça, abaixo dos mais de 4% registrados na semana passada. 

Para além da correção, dados macroeconômicos positivos também ajudam o desempenho das bolsas. Nos EUA, a abertura de vagas medida pelo JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey) veio abaixo do esperado. Foram 10,1 milhão de vagas abertas em agosto, contra 11,1 milhões em julho. 

Com o mercado de trabalho perdendo parte da tração, a leitura dos investidores é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ser mais brando no ciclo de aperto monetário.

A consequência é um dia favorável ao risco no mercado global, com bolsas em alta e dólar caindo. O dollar index, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas globais, recuando cerca de 1,4%. Contra o real, o dólar fechou em leve queda. estendendo a derrocada de 4% ontem.

  • Dólar comercial: - 0,11%, a R$ 5,168

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia

Ações em destaque hoje

A maior alta do dia foi a da petroleira privada 3R Petroleum (RRRP3), que saltou mais de 9% acompanhando os ganhos de 3% do petróleo no mercado internacional. Prio (PRIO3) também foi destaque de alta.

A Petrobras (PETR3/PETR4), por outro lado, fechou em queda, devolvendo parte dos ganhos da véspera, quando saltou quase 9% de olho nas eleições. O mesmo ocorre com os papéis do Banco do Brasil (BBAS3), que ficaram entre as maiores quedas do dia após disparada de 7% ontem.

As duas estatais foram beneficiadas pelo otimismo do mercado com o cenário político. A menor diferença entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno alimentou a expectativa de que os candidatos busquem o centro para conquistar votos. 

Veja também