Ibovespa fecha em queda de olho no risco fiscal do Brasil e recessão nos EUA

O Ibovespa fechou amargando uma queda de 0,98% aos 99.603 pontos, perdendo mais uma vez o patamar dos 100 mil
 (Germano Lüders/Exame)
(Germano Lüders/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 29/06/2022 às 17:34.

Última atualização em 29/06/2022 às 19:09.

Ibovespa hoje: o pregão terminou em território negativo nesta quarta-feira, 29, para o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

O Ibovespa fechou amargando uma queda de 0,98% aos 99.603 pontos.

Com isso, o Ibovespa volta perder os patamar dos 100 mil pontos, e amarga um desempenho negativo de 10,66% no mês de junho.

O pior resultado desde março 2020, quando o Ibovespa perdeu 29,9%, no começo da pandemia do novo Coronavírus.

Os temores de recessão nos Estados Unidos e sobre o cenário fiscal no Brasil acabaram afetando as negociações e gerando pessimismo nos mercados.

O volume financeiro do dia somou R$ 17,4 bilhões, muito abaixo da média de R$ 28,3 bilhões registrada no mês.

A Bolsa de Valores de São Paulo registrou esse resultado negativo seguindo o andamento de Wall Street, que também teve um dia conturbado.

O mercado americano foi impactado negativamente pelos números divulgados nesta quarta, que mostram como o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA caiu em uma taxa anualizada de 1,6% no primeiro trimestre de 2022.

O dado sobre o PIB registrou uma piora em relação a queda de 1,5% registrada anteriormente. E isso acabou injetando pessimismo entre os investidores.

As palavras do presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, Jerome Powell, também não ajudaram Wall Street.

Powell declarou que existe o risco de que os juros do Federal Reserve desacelerem demais a economia americana.

Entretanto, segundo o presidente do Fed, o maior risco é uma inflação persistente, que poderia desencadear expectativas sobre um avanço constante dos preços.

O único índice que fechou positivo em Wall Street foi o Dow Jones, que acabou o dia com uma leve alta.

  • Dow Jones (Nova York): + 0,27%
  • S&P 500 (Nova York): - 0,07%
  • Nasdaq (Nova York): - 0,03%

    O Ibovespa também foi influenciado negativamente pelas ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3; PETR4), que fecharam no negativo.

    As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 1,63%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) caíram 1,20% em dia de queda das cotações internacionais do petróleo.

    O Brent, qualidade referência para a Petrobras, caiu 1,50% nesta quarta.

    A Vale caiu 0,83% por causa do cenário externo.

    O minério de ferro acabou fechando em leve alta, de 0,06%, mas o que deixou muitos investidores preocupados foram as palavras do presidente chinês, Xi Jinping, que deixou claro como a política de "tolerância zero" contra a Covid-19 é correta.

    E isso poderia ser o prelúdio para novos fechamentos e lockdowns na China. O que afetaria diretamente a segunda maior economia do mundo, impactando na demanda de minério de ferro.

    PEC dos Combustíveis deixa mercado preocupado

    A proposta de emenda à Constituição (PEC) dos Combustíveis chegou ao Plenário do Senado para ser votada. E isso deixou o mercado preocupado sobre o cenário fiscal no Brasil.

    A PEC prevê repasses da União para os estados que baixarem a zero o ICMS sobre óleo diesel e gás de cozinha.

    O relator, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), antecipou que deve mudar o teor da PEC, retirando o conteúdo original.

    Ele deve incluir um aumento no vale-gás e no Auxílio Brasil e ainda um benefício adicional para caminhoneiros.

    Ao mesmo tempo, o senador antecipou que deve retirar da PEC a compensação pelo ICMS zero, que traria risco de "insegurança jurídica".

    Pela previsão de Bezerra, o custo total da PEC poderia saltar para R$ 34,8 bilhões, contra os R$ 29 bilhões previstos no texto original. O valor ficaria excluído do teto de gastos.

    Destaques do Ibovespa

    A melhor ação do dia no Ibovespa foi a MRV (MRVE3) que fechou em alta de 3,54%, seguida pela Rede d'Or (RDOR3) que teve uma alta de 3,08%, e a SLC Agrícola (SLCE3), que subiu 2,57%.

    Entre as piores do Ibovespa ficaram a Qualicorp (QUAL3), que perdeu 8,54%, a CVC (CVCB3), que amargou um prejuízo de 7,01% e a Positivo (POSI3), que perdeu 6,02%.