Ibovespa: Vale (VALE3) pressiona o índice (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 10h20.
Última atualização em 13 de fevereiro de 2026 às 16h54.
O Ibovespa opera nesta sexta-feira, 13, véspera de Carnaval, na tendência de queda, caindo 0,89%, aos 186.090 pontos às 16h50.
Nos Estados Unidos, os índices operam no campo positivo. Dow Jones operava com alta de 0,15%, S&P 500 subia 0,27% e Nasdaq tinha alta de 0,16% no mesmo horário.
Hoje, o que movimenta o pregão são as ações da Vale (VALE3), que caem 2,42%. Ontem a mineradora divulgou seu balanço, registrando prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025.
O resultado conta com os efeitos de uma baixa contábil (impairment) de US$ 3,4 bilhões referentes aos ativos de níquel da companhia no Canadá. Além disso, a linha final do balanço foi impactada por efeito tributário da ordem de US$ 2,8 bilhões.
Apesar disso, excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, alta de 68% na comparação anual e queda de 47% em bases trimestrais — o que fez o mercado avaliar positivamente o balanço.
“A visão é positiva, porque o mercado foca, para além do prejuízo, na capacidade operacional. Afinal, os efeitos não recorrentes não afetam o caixa e nem a operação da Vale. Ela não está perdendo dinheiro, está apenas fazendo um ajuste contábil”, explica Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) manteve uma recomendação de compra para a Vale. A mineradora conseguiu entregar resultados que superaram as projeções do banco, sustentando o recente momento positivo de suas ações. A Vale gerou um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) anualizado de 9% no trimestre. O BTG prevê um rendimento de dividendos de 8,1% para o ano de 2026.
Entretanto, as análises mais otimistas não são o suficiente para sustentar a mineradora.
Ainda no contexto de conseguir mais pistas sobre as próximas decisões do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), a agenda desta sexta ganha relevância. O Bureau of Labor Statistics divulgou o índice de preços ao consumidor (CPI).
O CPI dos Estados Unidos avançou 0,2% em janeiro na comparação mensal com ajuste sazonal. Em 12 meses, a inflação ficou em 2,4%.
O resultado mensal ficou abaixo das projeções da Bloomberg, que apontavam alta de 0,3% tanto para o índice cheio quanto para o núcleo. Em dezembro, o CPI subiu 0,3%.
Na comparação anual, a expectativa era de avanço de 2,5% para o índice cheio. O dado efetivo, de 2,4%, também ficou abaixo da projeção e desacelerou em relação aos 2,7% registrados nos 12 meses encerrados em dezembro.
O dado é central para as expectativas sobre a trajetória de juros americanos e tende a influenciar tanto as bolsas quanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries.