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Afinal, o balanço da Vale foi bom ou ruim? Entenda o que causou prejuízo

Números da companhia no 4º trimestre foram afetados por reavaliação de operações

 (Washington Alves/Reuters)

(Washington Alves/Reuters)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 12h25.

Unidades de metais básicos da Vale no Canadá foram detratoras do balanço da companhia no quarto trimestre de 2025. O impairment desses ativos, termo das demonstrações financeiras para baixa contábil, somou US$ 3,4 bilhões e contribuiu com prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões da companhia no período.

Excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, com alta de 68% na comparação anual.

Mas, afinal, o balanço da empresa mais negociada na bolsa brasileira foi bom ou ruim?

Na baixa contábil, não há saída de dinheiro do caixa da empresa. Via de regra, o valor de um ativo no balanço é calculado com base no quanto ele vai render de dinheiro ao negócio no futuro. Se a expectativa é de que o ativo vai gerar menos recursos, esse valor é ajustado para baixo no balanço e impacta no resultado final.

No caso da operação canadense da Vale Base Metal (VBM), a revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo do níquel foi o motivo para uma das baixas contábeis do balanço. Porque houve uma segunda.

Nesse caso, a Vale tirou do balanço um "abatimento" de imposto que até então esperava receber: US$ 2,8 bilhões.

Metais "do bom"

Se o níquel jogou contra o resultado da companhia, o mesmo não pode ser dito de outros metais. O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) observa que a VBM teve um lucro operacional acima das expectativas. E faz a leitura de que uma exposição crescente ao cobre começa a ganhar peso relevante na tese de investimento da mineradora.

No ano passado, a Vale anunciou que estava fazendo uma revisão estratégia das operações da VBM no Canadá, com possível venda de ativos de exploração e mineração.

A Vale (VALE3) anunciou nesta quinta-feira que iniciou uma “revisão estratégica” das operações da subsidiária Vale Base Metals no Canadá, o que inclui uma possível venda de ativos de exploração e mineração no país.

Reação negativa do mercado

O mercado não reagiu aos números do quarto trimestre da Vale. Os papéis recuam forte nesta sexta-feira, 13, mas ainda acumulam alta de mais de 20% no ano. O rali da mineradora na bolsa chegou ao fim?

"Acreditamos que uma parcela relevante do viés mais construtivo recente para a Vale está mais associada a posicionamento macro do que a uma melhora estrutural no mercado de minério de ferro", dizem os analistas da Genial.

"A rotação de capital estrangeiro para ações brasileiras tem beneficiado fortemente as large caps, com a Vale se destacando como principal destino de fluxos passivos e macro, dado que é o papel de maior peso no Ibovespa".

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