Projeções econômicas; previsão de inflação, juros, PIB; boletim Focus (ThinkStock/Thinkstock)
Repórter
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam a semana com pontos de atenção no Brasil e no exterior. No mercado doméstico, o principal destaque é o Boletim Focus, enquanto investidores acompanham dados de confiança na zona do euro e indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
O início da semana também deve ser marcado pela repercussão dos dados de inflação da China divulgados no domingo e pelas novas sinalizações sobre o Estreito de Ormuz, rota central para o comércio global de petróleo.
Os dados chineses vieram abaixo das expectativas, enquanto as negociações sobre a navegação no estreito seguem sem uma solução definitiva.
No Brasil, o Banco Central divulga o Boletim Focus às 8h25. No relatório anterior, analistas consultados pela autoridade monetária reduziram a projeção para o IPCA de 2026 pela quinta semana consecutiva.
A estimativa para a Selic também recuou, enquanto as projeções para o PIB de 2026, 2028 e 2029 foram mantidas. As expectativas para o dólar em 2026 e 2028 também ficaram estáveis.
Na Europa, a agenda começa às 5h30, com a divulgação do índice Sentix de confiança do investidor da zona do euro. A leitura de agosto tem projeção de -3,2 pontos, ante -3,1 pontos no mês anterior. Às 7h, o Banco Central da Alemanha publica seu relatório mensal.
Na França, o Tesouro realiza às 10h leilões de títulos de curto prazo com vencimentos em três, seis e 12 meses. Às 13h, o país divulga os dados anuais de licenciamento de veículos de julho.
Nos Estados Unidos, o Conference Board divulga às 11h o Índice de Tendência de Emprego de julho. A leitura anterior ficou em 106,69 pontos. Mais tarde, às 12h30, o Tesouro americano realiza leilões de títulos de três e seis meses.
No Reino Unido, o British Retail Consortium divulga às 20h01 as vendas no varejo de julho. O dado anual tem leitura anterior de alta de 1,7% e expectativa de avanço de 1,5%.
No Congresso, não há sessão deliberativa prevista para esta segunda-feira. O Senado tem uma sessão especial às 10h, para celebrar o Dia Nacional da Proteção de Dados, e uma sessão não deliberativa às 14h.
Investidores também devem repercutir os dados de inflação da China divulgados no domingo. O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,5% em julho na comparação anual, abaixo da expectativa de 0,8% e da alta de 1% registrada em junho. Na comparação mensal, o indicador recuou 0,1%, ante projeção de alta de 0,2%.
Os preços ao produtor também perderam força. O PPI subiu 3,5% em julho na comparação anual, abaixo da projeção de 3,8% e do avanço de 4,1% registrado no mês anterior. Os números reforçam os sinais de demanda doméstica fraca na segunda maior economia do mundo e podem influenciar ativos ligados a commodities e mercados emergentes.
No Oriente Médio, o foco segue sobre o Estreito de Ormuz. Irã e Omã avançaram nas negociações de um acordo temporário para a circulação de navios pela rota, mas Teerã afirmou no fim de semana que a reabertura integral depende de condições impostas aos Estados Unidos, incluindo o fim das hostilidades e a retirada de forças americanas da região.
A indefinição mantém o petróleo no centro das atenções. O estreito é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo, e qualquer mudança nas condições de navegação pode provocar oscilações nas cotações do petróleo e nas expectativas de inflação global.
Na sexta-feira, 7, o Ibovespa fechou em queda de 1,73%, aos 172.513,42 pontos, depois de oscilar entre 172.131,20 e 176.116,84 pontos. O principal índice da B3 encerrou a semana com perda acumulada de 3,08%, em um pregão marcado pela repercussão do balanço da Petrobras, pela leitura mais cautelosa sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela reação ao payroll dos Estados Unidos. O volume financeiro somou R$ 21 bilhões.
O dólar comercial caiu 0,46%, cotado a R$ 5,084, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior após os dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Na semana, a moeda acumulou alta de 0,27%.
No mercado de petróleo, o Brent para outubro subiu 1,29%, para US$ 83,55 por barril, enquanto o WTI para setembro avançou 1,15%, para US$ 78,18. Apesar da recuperação nas últimas sessões, os contratos acumularam perdas de 5% e 7,7%, respectivamente, na semana.
As bolsas americanas encerraram a sexta-feira em alta após o payroll reforçar a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro. O Dow Jones subiu 0,28%, aos 54.036,93 pontos. O S&P 500 avançou 0,62%, renovando o recorde de fechamento aos 7.757,64 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,30%, aos 26.690,62 pontos.
Na semana, os índices acumularam ganhos de 2,96%, 3,58% e 5,19%, respectivamente, impulsionados pela leitura de que a desaceleração do mercado de trabalho reduz a pressão por uma nova alta de juros nos Estados Unidos.