Ações de farmacêuticas: papéis ampliam as perdas nesta sexta-feira, 25, um dia após o anúncio do Mercado Livre de que passará a vender medicamentos com receita médica (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 13h40.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 15h56.
As ações das redes de farmácias RD Saúde, Pague Menos e Panvel ampliam as perdas nesta sexta-feira, 25, após o Mercado Livre, plataforma de comércio eletrônico, iniciar a venda de medicamentos com receita em São Paulo. Às 13h30, RD Saúde caía 1,63%, Pague Menos recuava 0,87% e Panvel perdia 0,49%. Analistas apontam disputa pelo cliente digital.
As ações das redes de farmácias ampliam as perdas nesta sexta-feira, 25, um dia após o anúncio do Mercado Livre de que passará a vender medicamentos com receita médica. O movimento ocorre mesmo com o Ibovespa praticamente estável, sinalizando que o setor continua sob pressão após a novidade.
Por volta das 13h30, quando o principal índice acionário da B3 registrava ligeira queda e 0,02%, aos 183.986 pontos, a RD Saúde (RADL3) recua 1,63% e está entre as oito únicas ações do Ibovespa no campo negativo. A Panvel (PNVL3) cai 0,49%, enquanto Pague Menos (PGMN3) perde 0,87% no mesmo horário.
Na véspera, os papéis haviam despencado. a RD Saúde caiu 5,38%, Pague Menos recuou 8% e Panvel perdeu 4,90%.O anúncio do Mercado Livre adicionou uma nova frente de competição para as redes tradicionais. A companhia começou nesta sexta-feira a vender medicamentos sob prescrição em São Paulo, incluindo antibióticos e medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic. Para concluir a compra, o consumidor envia a receita, que é analisada por um farmacêutico da operação.
Além da venda própria, o Mercado Livre pretende levar farmácias tradicionais para dentro de seu marketplace pelo modelo 3P, no qual os parceiros fazem a venda ao consumidor enquanto utilizam a infraestrutura digital e logística da plataforma. A companhia espera começar as primeiras integrações em outubro na região metropolitana de São Paulo.
Relatórios de XP Investimentos, Safra e BTG Pactual avaliam, porém, que a entrada do Mercado Livre não representa, neste momento, uma substituição das lojas físicas. A leitura predominante é de que a disputa tende a ocorrer primeiro pelo canal digital e pela aquisição do consumidor.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avalia que o avanço do comércio eletrônico no setor tem representado mais uma migração de canais do que uma desintermediação completa das redes.
A RD Saúde, por exemplo, registrou R$ 3,9 bilhões em vendas digitais no segundo trimestre de 2026, equivalentes a 31% da receita de varejo. Cerca de 83% desse volume veio do aplicativo próprio da companhia.
A escala física também continua sendo um diferencial para as redes. Segundo o banco, cerca de 96% dos pedidos digitais da RD são entregues ou retirados em até 60 minutos, apoiados por uma rede de aproximadamente 3.700 lojas.
Nesse cenário, o principal risco apontado pelos analistas não é o desaparecimento das farmácias físicas, mas a possibilidade de as redes perderem parte do tráfego digital e da relação direta com o consumidor para plataformas como o Mercado Livre.
O Safra tem avaliação semelhante e considera que o marketplace pode funcionar como um canal adicional de aquisição de clientes. Para as grandes redes, o modelo 3P pode inclusive ampliar o alcance digital, já que elas continuam responsáveis pela venda e dispensação dos medicamentos.
Após o anúncio do Meli, ainda na noite de ontem, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que questionará a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a legalidade da operação.
Para a entidade, a comercialização de medicamentos por marketplaces continua vedada enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na Anvisa. A associação afirma que a venda anunciada pelo Mercado Livre, inclusive de produtos sujeitos à prescrição médica e à retenção de receita, não estaria de acordo com a legislação vigente.
A Abrafarma cita um comunicado da própria Anvisa, de 10 de agosto, segundo o qual a revogação de resoluções da vigilância sanitária "não implica em autorização automática de comercialização de produtos farmacêuticos". Segundo a agência, a aplicação da nova lei depende de regulamentação ainda a ser editada.
"A venda anunciada de remédios por meio da plataforma, inclusive com receita, fere a legislação", afirmou a Abrafarma em comunicado à inprensa.
O Mercado Livre anunciou nesta quinta que começará a vender medicamentos com receita em São Paulo, incluindo antibióticos e canetas para emagrecimento como Ozempic.
O anúncio foi feito durante a 10ª edição do Meli Experience, evento do Mercado Livre realizado nesta quinta-feira, em São Paulo. A partir de amanhã, consumidores poderão enviar a receita médica para análise de um farmacêutico da própria operação antes da liberação da compra.
“Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios. Além disso, a taxa de conversão de medicamentos é muito maior quando comparada aos demais produtos”, afirmou Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil.
As ações caíram diante do receio de que o Mercado Livre dispute o canal digital e o relacionamento das redes de farmácias com os clientes. Nesta sexta-feira, 25, RD Saúde recuava 1,63%, Pague Menos perdia 0,87% e Panvel caía 0,49% por volta das 13h30.
O Mercado Livre passou a vender em São Paulo antibióticos e medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic. Para concluir a compra, o consumidor envia a receita, que passa pela análise de um farmacêutico da operação.
O Mercado Livre não deve substituir as lojas físicas neste momento, segundo relatórios de XP Investimentos, Safra e BTG Pactual. Para o BTG, o avanço do comércio eletrônico no setor representa mais uma migração de canais do que uma desintermediação completa das redes.
As farmácias poderão vender pelo modelo 3P, no qual os parceiros atendem o consumidor e usam a infraestrutura digital e logística do Mercado Livre. A plataforma espera iniciar as primeiras integrações em outubro na região metropolitana de São Paulo.
A Abrafarma afirma que a venda de medicamentos por marketplaces continua vedada enquanto a Anvisa não concluir a regulamentação do setor. Segundo a associação, a operação anunciada pelo Mercado Livre, inclusive com produtos sujeitos a prescrição e retenção de receita, não estaria de acordo com a legislação vigente.
A RD Saúde registrou R$ 3,9 bilhões em vendas digitais no segundo trimestre de 2026, equivalentes a 31% da receita de varejo, com 83% desse volume originado no aplicativo próprio. Segundo o BTG Pactual, cerca de 96% dos pedidos digitais da rede são entregues ou retirados em até 60 minutos.