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Firma de investimentos pede registro para ETF de Venezuela nos EUA

Apesar e incertezas para investir em ativos venezuelanos, há espaço para iniciativas pioneiras, avaliam especialistas

ETF foi protocolado na SEC dias depois da invasão americana à Venezuela e à captura do líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa. (ALFREDO ESTRELLA/AFP)

ETF foi protocolado na SEC dias depois da invasão americana à Venezuela e à captura do líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa. (ALFREDO ESTRELLA/AFP)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 16h14.

O mercado global de fundos negociados em bolsa — ou ETF, na sigla em inglês — já movimenta cerca de US$ 13,6 trilhões em ativos, distribuídos entre quase 5 mil fundos. Agora, um novo produto pode se somar a essa lista: um ETF voltado à Venezuela — ou, pelo menos, a empresas com presença significativa no país.

O fundo Teucrium Venezuela Exposure foi protocolado na SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, na última segunda-feira, 5, dias depois da invasão americana à Venezuela e à captura do líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa.

Conforme o documento entregue ao regulador americano, o ETF busca replicar um índice composto por empresas sediadas na Venezuela ou que obtenham mais da metade de seus ativos ou receitas no país.

Isso significa que o fundo não será limitado a papéis listados na bolsa de Caracas, mas poderá incluir companhias estrangeiras com negócios relevantes no país.

Se aprovado, o Teucrium será o primeiro ETF com foco em exposição à Venezuela. Segundo dados da Bloomberg Intelligence, embora existam fundos que detêm dívida venezuelana, não há hoje nenhum ETF voltado a ações vinculadas à economia do país.

Vale a pena investir na Venezuela?

Apesar das incertezas sobre a nova governança e dos entraves operacionais para investir em ativos venezuelanos, há espaço para iniciativas pioneiras.

É o que Eric Balchunas, analista sênior da Bloomberg Intelligence, afirmou à Bloomberg, descrevendo o mercado como "inexplorado" e ainda "sem liquidez".

A operação que depôs Maduro também impulsionou os preços da dívida do país, paralisada desde o calote de oito anos atrás e travada por sanções impostas pelos EUA.

Para credores antigos, o novo cenário pode abrir caminho para uma eventual reestruturação.

Enquanto o novo ETF ainda aguarda autorização, alguns fundos que já têm exposição à dívida da Venezuela começaram a colher os primeiros ganhos. Um deles é o Virtus Stone Harbor Emerging Markets High Yield Bond ETF (código VEMY), que vem ampliando suas posições em títulos do país desde o ano passado, segundo o gestor Jim Craige, também ouvido pela agência americana.

Diretor de investimentos da Stone Harbor Investment Partners, Craige disse à Bloomberg que acredita numa reestruturação da dívida nos próximos 18 a 24 meses.

Apesar da alta nas ações locais e do otimismo com os papéis da dívida, a criação de um ETF voltado às ações venezuelanas é vista com cautela quanto ao tamanho de mercado. O público-alvo, avalia Balchunas, provavelmente será pequeno.

Mesmo assim, trata-se de uma rara área inexplorada no setor. Todd Sohn, também da Bloomberg Intelligence, avaliou que, de tempos em tempos, algum catalisador chama a atenção da indústria, que passa a enxergar potencial para uma nova exposição — mesmo que a lacuna ou o nicho sejam pequenos. Segundo ele, esse pode ser o caso da Venezuela.

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