Fluxo estrangeiro em emergentes: seletividade continua (cofotoisme/Getty Images)
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 06h00.
A remuneração dos títulos de dívida dos países emergente está no menor patamar em 13 anos, como mostra um levantamento do JP Morgan. Apesar do estrangeiro estar mais disposto a investir nesses papéis, mesmo com a geopolítica conturbada, não quer dizer que ele tenha deixado para trás a seletividade, afirmam especialistas consultados pela EXAME.
O head de renda fixa da AVIN, Vitor Cabral Cesar, vê que a tolerância a novas compressões de spread tendem a ser menores caso os fundamentos dos países emergentes não evoluam de forma clara e consistente. Isso mesmo com juros mais baixos nos Estados Unidos (o que diminui a atratividade do Tesouro americano), o dólar fraco e a a alta liquidez global.
A projeção é que o crescimento econômico das nações em desenvolvimento supere em ao menos 2,4 pontos percentuais, em 2025 e em 2026, o dos países de "primeiro mundo", prevê o JP.
“Os prêmios atuais não parecem refletir totalmente as incertezas fiscais, os ruídos institucionais, recentemente exacerbados por episódios envolvendo o entrelaçamento de instituições (...), e, principalmente, parecem ainda não refletir o cenário eleitoral que vem pela frente no Brasil”, na visão de Cabral Cesar.
O economista e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, também enxerga maior seletividade nas alocações, mas acredita que o Brasil pode ser beneficiado caso o cenário político eleitoral comece a se desenhar mais favorável a partir do segundo semestre deste ano.
“Esperamos continuidade do fluxo para emergentes, desde que não haja choques globais significativos ou mudança nas perspectivas de política monetária nos países desenvolvidos”, adicionou Perri.
Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, enxerga que ainda há bastante espaço para esse tipo de operação no Brasil. “Outros países já começaram a cortar juros, acho que o Brasil e Turquia ainda têm bastante espaço para fazer as operações”, considerando os níveis de risco atuais.
“Eu ainda acho que nesse primeiro semestre a gente vai ver bastante operação buscando esse diferencial. E essa entrada de recurso também acaba ajudando a controlar o câmbio. Então, aqui eu ainda vejo bastante espaço para a gente ver esse tipo de operação”, disse Pletes.
Para Rodrigo Aloi, chefe de pesquisa e estratégia da HMC Capital, há uma outra variável importante para que os fluxos de investimento estrangeiro nos países emergentes se mantenha: a demanda chinesa.
“A retomada mais consistente da agenda de crescimento da China segue como variável-chave para o desempenho dos mercados emergentes”, pontuou.