Nova máxima histórica: no começo da tarde, o Ibovespa quebrou novo recorde intradiário ao ultrapassar os 183 mil pontos (B3/Divulgação)
Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 14h45.
Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 14h49.
Depois de um pregão de acomodação na véspera, o Ibovespa voltou a ganhar força nesta terça-feira, 27, e tocou pela primeira vez na história a marca dos 183 mil pontos, embalado por um movimento de alta generalizada.
O índice retomou o rali recente da bolsa brasileira, que havia sido interrompido na segunda-feira, 26, após quatro sessões consecutivas de recordes, em um pregão marcado por forte apetite por risco e com apenas quatro ações em queda por volta das 14h40.
No começo da tarde, o Ibovespa quebrou novo recorde intradiário ao ultrapassar os 183 mil pontos. Às 13h42, o principal índice da B3 avançou 2,60% e atingiu os 183.359,56 pontos. Mais tarde, perto das 14h40, mantinha alta de 2,24%, aos 182.715 pontos.
O movimento ganhou tração com a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que subiu 0,20%, abaixo das expectativas do mercado. O dado reforçou a leitura de inflação sob controle na margem e estimulou a tomada de risco, sustentando o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira.
Na avaliação de Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, o IPCA-15 confirma uma inflação ainda controlada na margem, mas traz alertas relevantes na composição. Apesar do alívio pontual vindo das passagens aéreas, os núcleos seguem resilientes, especialmente em serviços subjacentes e bens industrializados, o que reforça uma postura cautelosa do Banco Central.
Para ele, o dado sustenta a expectativa de manutenção da Selic na reunião desta quarta-feira, 28, afastando, por ora, a discussão de cortes no curtíssimo prazo.
Já Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, destaca que, embora os núcleos tenham vindo quantitativamente piores, a trajetória de desinflação permanece. Com isso, a casa mantém o cenário de início do ciclo de cortes na Selic, com uma redução de 25 pontos-base em março.
O avanço do Ibovespa é amplamente disseminado ao longo do pregão. No início da tarde, apenas quatro ações operavam em queda: Eneva (ENEV3), com recuo de 2,45%; Marfrig (MRFG3), que caía 1,98%; Minerva (BEEF3), com baixa de 1,62%; e Totvs (TOTS3), que recuava 1,27%.
O rali desta terça-feira é liderado pelo setor financeiro. As ações preferenciais do Itaú (ITUB4), que têm peso próximo de 9% na composição do índice, avançavam 3,87%. As units do Santander (SANB11) subiam 3,60%, enquanto Bradesco (BBDC4) ganhava 2,83% e Banco do Brasil (BBAS3) avançava 2,25%. Já as units do BTG Pactual (BPAC11) tinham alta de 1,34%.
Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o movimento continua sendo sustentado pela entrada de capital estrangeiro. “Com a saída de notícias negativas nos Estados Unidos, principalmente ligadas às decisões do presidente Donald Trump, o investidor estrangeiro tem direcionado recursos para mercados emergentes, entre eles o Brasil”, afirma.
No exterior, o noticiário segue contribuindo para a busca por risco fora dos Estados Unidos. Trump prometeu um “grande pronunciamento”, por volta das 18h de Brasília, sobre a economia e o custo de vida, voltou a pressionar bancos por um eventual teto nos juros do cartão de crédito e sinalizou possíveis intervenções no mercado imobiliário.
Além disso, cresce a preocupação com a possibilidade de um novo shutdown, pouco tempo após o país enfrentar o mais longo apagão da máquina pública de sua história.
No fim de semana, Trump também elevou as tensões comerciais ao ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o país avance em um acordo comercial com a China, o que tem aumentado a cautela global e reforçado o fluxo para ativos fora dos EUA.
Entre as maiores altas do dia, a Yduqs mantinha a liderança dos ganhos, com valorização de 6,96%, após o Itaú BBA elevar a recomendação da companhia — e também da Cogna — de neutra para compra.
Para o banco, o setor de educação segue bem posicionado para se beneficiar do ciclo de queda dos juros, e 2025 marca um ponto de inflexão, com foco maior na proteção de margens e geração de caixa.
Após recuar na véspera com notícias sobre um novo vazamento em uma mina em operação, as ações da Vale (VALE3) passavam por um dia de recuperação, com alta de 2,93%, contribuindo para o desempenho positivo do índice.
Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o comportamento do mercado reflete mais a dinâmica de fluxo e rotação setorial do que qualquer mudança estrutural.
“O investidor estrangeiro costuma entrar primeiro em setores de maior liquidez, como financeiro e utilities. Agora, começamos a ver uma rotação gradual para ações de menor capitalização, que hoje sobem mais do que o próprio Ibovespa”, afirma.