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Dólar interrompe sequência de quedas, mas fecha abaixo de R$ 5,20

A moeda americana encerrou o dia em alta de 0,16%, cotada a R$ 5,196. Na véspera, havia sido vendida a R$ 5,18, o menor patamar em quase dois anos

Dólar: petróleo acima de US$ 100 amplia impacto econômico da crise no Oriente Médio. (Designed by/Freepik)

Dólar: petróleo acima de US$ 100 amplia impacto econômico da crise no Oriente Médio. (Designed by/Freepik)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 17h23.

Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 17h29.

O dólar à vista voltou a se fortalecer frente ao real nesta terça-feira, 10, após duas sessões consecutivas de queda. A moeda americana encerrou o dia em alta de 0,16%, cotada a R$ 5,196. Na véspera, havia sido vendida a R$ 5,18, o menor patamar desde 28 de maio de 2024.

O movimento observado no mercado doméstico foi semelhante ao de outras moedas emergentes e ocorreu sem gatilhos claros que justificassem a valorização do dólar. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas de países desenvolvidos, ficou praticamente estável, com leve alta de 0,01%, aos 96,86 pontos.

Segundo a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a alta do dólar no Brasil reflete um comportamento mais global e técnico.

"Vimos hoje um movimento de ligeira alta aqui no dólar, no Brasil. Algumas outras moedas emergentes também estão com esse mesmo comportamento, então me parece que é um movimento mais global”, afirmou.

Na ausência de gatilhos que expliquem a alta, a economista avalia que o avanço da moeda americana no mercado local está ligado principalmente a uma correção após a queda registrada nos últimos dias.

"Acho que deve-se muito mais a uma correção depois da queda grande que vimos. Não tem uma explicação econômica por trás disso hoje, é um comportamento mais de mercado mesmo, algum ajuste técnico”, disse.

Quartaroli também comentou que houve menções no mercado à questão fiscal brasileira, mas avaliou que esse fator não explica o movimento do câmbio. "São comentários sobre um tema já bastante falado, não é novidade, e não saiu nenhuma notícia nova hoje", afirmou.

O mercado também demonstra cautela diante da expectativa por indicadores econômicos que serão divulgados nos Estados Unidos ao longo da semana, como o payroll e o CPI.

Falas de Haddad no radar

Os comentários fiscais citados por operadores ocorreram após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante o CEO Conference do BTG Pactual.

Haddad afirmou que o Brasil estaria maduro para discutir um novo desenho dos programas de assistência social, incluindo uma possível reorganização de benefícios como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo o ministro, o volume de recursos destinados a esses programas abre espaço para discutir uma nova arquitetura de proteção social mais racional e eficiente. Haddad citou a Renda Básica como uma das alternativas em debate, mas ressaltou que não há proposta concreta e que a discussão está em estágio inicial, aberta ao debate público e político.

As falas ocorrem em meio a projeções do governo que apontam aceleração dos gastos sociais nos próximos anos. De acordo com cálculos da Fazenda, as despesas com o BPC devem subir de R$ 127,2 bilhões em 2025 para R$ 300 bilhões em 2035. Já os gastos com o Bolsa Família devem passar de R$ 87,8 bilhões para R$ 171,3 bilhões no mesmo período.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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