Carreira

Trabalhador prioriza salário alto à jornada reduzida e home office, aponta CNI

Pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira" revela que os modelos tradicionais do emprego formal ainda superam as novas tendências de flexibilidade no mercado nacional

Preferência nacional: A segurança da carteira assinada e a remuneração financeira pesam mais na balança do trabalhador do que os regimes de trabalho remoto (Erlon Silva/TRI Digital/Getty Images)

Preferência nacional: A segurança da carteira assinada e a remuneração financeira pesam mais na balança do trabalhador do que os regimes de trabalho remoto (Erlon Silva/TRI Digital/Getty Images)

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Redação Exame

Publicado em 5 de junho de 2026 às 13h44.

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As transformações nos modelos de trabalho trazidas pela virada da década parecem não ter superado o desejo do brasileiro por segurança financeira e corporativa. É o que mostra o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira, 5.

Receber um salário alto, ter estabilidade e contar com perspectivas reais de crescimento continuam sendo as prioridades absolutas do trabalhador brasileiro para os próximos cinco anos, mostra o levantamento, intitulado "Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional".

Fatores tradicionais de contratação superam de forma expressiva as tendências modernas de mercado, como o regime de home office e os debates acerca da redução da jornada semanal de trabalho. Veja abaixo as prioridades listadas pelos trabalhadores:

  • Salário alto: principal diferencial para 28,7% dos entrevistados;
  • Estabilidade no emprego: citada por 22,4%;
  • Plano de carreira e crescimento: apontado por 20,1%;
  • Trabalho remoto (home office): prioridade para 15,9%;
  • Jornada reduzida: ponto menos citado, escolhido por apenas 9,8%.

A pesquisa foi conduzida pela Nexus e ouviu 2.008 cidadãos acima de 16 anos em todas as unidades federativas e no Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A força do emprego formal (CLT) e o medo do futuro

Para a equipe técnica da CNI, os dados reforçam que o trabalhador brasileiro enxerga o regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como a base mais sólida para o planejamento de médio e longo prazo.

O emprego com carteira assinada desponta como o modelo mais atrativo para 36,3% da população geral. O ápice de interesse (41,4%) está entre os jovens adultos na faixa etária de 25 a 34 anos.

"Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador, e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo", analisa Cláudia Perdigão, especialista da CNI.

Embora o índice de satisfação com o emprego atual atinja 95% dos profissionais, o horizonte profissional a longo prazo é encarado com um forte sentimento de cautela e desconfiança. Cerca de 42,7% dos entrevistados admitiram não saber em qual ocupação ou cargo estarão inseridos daqui a cinco anos.

Essa lacuna de incerteza é ainda mais proeminente entre os colaboradores com maior idade e encontra-se diretamente atrelada ao avanço veloz da tecnologia corporativa.

A pesquisa identificou que menos da metade da população brasileira domina habilidades digitais complexas, como o manejo de inteligência artificial ou a elaboração de planilhas de nível avançado.

A deficiência técnica cria um efeito de ansiedade, em que o trabalhador se sente confortável no posto atual, mas teme perder espaço no mercado por não conseguir acompanhar as exigências de qualificação do amanhã.

Quais são os maiores entraves para o crescimento?

Para a fatia de trabalhadores que já possui um objetivo de carreira bem delimitado, o estudo mapeou os principais fatores externos que bloqueiam o sucesso profissional no país:

  • Falta de vagas com boas condições: 22%
  • Falta de experiência prática exigida: 17,6%
  • Ausência de cursos de formação na região: 16,9%
  • Necessidade de cuidar de familiares: 16,1%

Paralelamente ao desejo de ascensão no emprego tradicional, o espírito empreendedor segue vivo no país: 13,9% dos brasileiros nutrem o plano de se tornarem seus próprios patrões.

O foco desse grupo, contudo, permanece concentrado no empreendedorismo de sobrevivência e em ramos tradicionais da economia, como a abertura de comércios varejistas, restaurantes e salões de beleza.

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