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Dólar a R$ 5,18: para onde vai a moeda americana a partir de agora?

Divisa chegou ao menor valor de fechamento em quase dois anos e perdeu força também fora do Brasil

Dólar: Focus ainda prevê moeda a R$ 5,50 no final de 2026 ( user3222645/Freepik)

Dólar: Focus ainda prevê moeda a R$ 5,50 no final de 2026 ( user3222645/Freepik)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O dólar comercial terminou a segunda-feira, 9, em R$ 5,18. É o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024. Só este ano, a moeda americana acumula queda de 5,48% e no período de 12 meses a baixa é de 10,45%. O movimento, contudo, não foi suficiente para os economistas consultados semanalmente pelo Banco Central revisarem a cotação esperada para o final de 2026, atualmente em R$ 5,50.

"O que me traz algum desconforto é que essa projeção está na pedra já faz 17 semanas seguidas", afirma André Perfeito, economista do Garantia Capital, em comentário. "A mediana das expectativas não se alterou há mais de quatro meses mesmo havendo evidências de sobra que não é o Real que está forte, mas antes o dólar que está fraco".

O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, acumula queda de 1,5% em 2026 e de 10,58% em um ano.

O economista André Galhardo explica por que é difícil projetar um câmbio muito abaixo do que já está. E o motivo, segundo ele, é a geopolítica. "Tem vários embates envolvendo os Estados Unidos e alguns deles podem desestabilizar a economia mundial", diz, citando como o exemplo uma escalada de conflitos no Irã.

"Isso pode elevar os preços do petróleo, o que, por sua vez, influenciaria a política monetária no mundo inteiro".

Perfeito afirma que a questão do câmbio é um ruído dos grandes nos modelos matemáticos que servem como base para as projeções econômicas.

"Se o dólar derrapa para os R$ 5,10 será que o mercado revisa para baixo IPCA e SELIC? A reposta é um categórico sim", escreveu Perfeito.

Volatilidade à vista

O dólar vem sendo pressionado pelo forte fluxo estrangeiro neste início de 2026. O Brasil já recebeu aproximadamente R$ 28,4 bilhões, superando todo o volume de 2025, o que sustenta o rali recente do mercado. A fraqueza do dólar aparece como fator de suporte aos fluxos internacionais, ao melhorar a atratividade relativa de mercados como o brasileiro.

Mas vem aí uma eleição presidencial.

"Normalmente as disputas presidenciais são marcadas por intensa volatilidade, bastante incerteza, e isso também adiciona um problema às nossas projeções. A chance de o cenário base se concretizar fica um pouco menor", explica Galhardo. 

Para ele, há chances da disputa deste ano ser tão polarizada quanto a de 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita. "E isso por si só já seria capaz de promover um processo de volatilidade cambial em desfavor da moeda brasileira", afirma.

A B&T, especializada em câmbio, projeta o dólar ao final do ano entre R$ 5,20 e R$ 5,40

"Como a gente vai estar no ano de eleições, que também é um ano bem imprevisível no Brasil, eu acho que o Focus tá tentando manter o mínimo de estabilidade possível ali dentro dessa questão econômica do dólar para não ter esses surtos que a gente sabe que acontece na economia", afirma  Vivian Portella, CEO da B&T. Para ela, a fraqueza do dólar é momentânea.

"Por mais que tenha essa instabilidade momentânea, eu acredito muito nessa fortaleza, não só da moeda, do dólar, mas da própria economia americana em si", afirma.

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