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Salvador quebra recorde mundial de reciclagem de latas no Carnaval

Volume recolhido em quatro dias supera em cinco vezes a marca anterior do Rio de Janeiro; renda obtida com material foi integralmente destinada a catadores

Toda a renda obtida pela vendas das latinhas foi revertidas aos catadores envolvidos (Fernando Peixoto/Secom PMS/Divulgação)

Toda a renda obtida pela vendas das latinhas foi revertidas aos catadores envolvidos (Fernando Peixoto/Secom PMS/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 07h00.

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O Carnaval de Salvador não é feito apenas de trios elétricos, axé e multidão. Nesta semana, a festa baiana conquistou um título que tem tudo a ver com o futuro do planeta: entrou para o Guinness World Records, o livro dos recordes, como palco da maior ação de reciclagem de latas de alumínio já registrada em um evento.

Entre quinta-feira (12) e domingo (15), foram recolhidas impressionantes 46 toneladas de latinhas descartadas nos circuitos oficiais da folia.

O número representa cinco vezes o volume da antiga recordista, o Carnaval carioca, que em 2023 contabilizou 8,8 toneladas durante os desfiles da Marquês de Sapucaí.

“Não há evento de rua que colete mais produtos reciclados como Salvador no Carnaval”, comemorou o prefeito de Salvador, Bruno Reis. “Só em um dia, nós chegamos a 6,5 toneladas. Ou seja, o que o Carnaval do Rio produz todos os dias, nós produzimos quase em um único dia.”

Trabalho com cooperativas e startups

O recorde não veio por acaso. Por trás da conquista está uma força-tarefa que mobilizou oito cooperativas de catadores, a Prefeitura (por meio da Limpurb), o Grupo Solví, de gestão de resíduos, e a startup de impacto socioambiental SOLOS.

Foram instaladas oito Centrais de Apoio ao Catador nos circuitos Barra-Ondina, Campo Grande e Pelourinho. Esses pontos funcionaram como entrepostos de coleta, onde as latinhas eram separadas, pesadas e armazenadas até serem transportadas durante a madrugada para a Estação de Transbordo do Grupo Solví.

Foi lá que ocorreu a pesagem oficial, acompanhada por testemunhas independentes e validada pela adjudicadora do Guinness, Camila Borenstain. “Durante os quatro dias de coleta, recebemos muitas evidências, como vídeos e fotos. Eu conferia tudo e fazia a validação ao longo do processo”, explicou.

Renda vai para catadores

Um dos pilares da ação foi a destinação correta tanto dos resíduos quanto dos recursos gerados. Toda a renda obtida com a venda das latinhas foi integralmente repassada aos catadores envolvidos na operação. Já o material recolhido seguiu para as empresas Novelis e Latasa, garantindo que 100% das 46 toneladas sejam efetivamente recicladas.

“O Carnaval de Salvador é um dos maiores eventos culturais do mundo e, agora, também é reconhecido pelo impacto positivo que gera no meio ambiente”, afirmou Ângelo Castro, diretor Regional da Solví. Ele destacou o papel central dos catadores: “Eles atuam como agentes ambientais durante a festa e garantem que as latinhas tenham o destino correto, ajudando a cidade a deixar um legado positivo.”

Dados auditados e transparentes

A startup SOLOS foi a responsável por auditar e consolidar todas as informações sobre o volume de material encaminhado à estação de transbordo, conferindo uma camada extra de credibilidade ao processo de certificação internacional.

“O trabalho compreende um nível alto de complexidade, abrangendo o setor público, o segmento empresarial, mas principalmente as cooperativas e o compromisso com uma gestão sustentável”, reforçou Carlos Gomes, presidente da Limpurb. “No fim das contas, a premiação do Guinness evidencia todo um trabalho que executamos e melhoramos ano após ano em Salvador.”

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