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DHL troca Miami por Brasil e coloca GRU e VCP como protagonistas logísticos

Brasil vira hub logístico da DHL na América Latina e pode crescer 30% em cargas até 2026

MARSEILLE, FRANCE - 2025/08/02: View as the DHL plane arrives at Marseille Provence Airport. (Photo by Gerard Bottino/SOPA Images/LightRocket via Getty Images) (Gerard Bottino/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

MARSEILLE, FRANCE - 2025/08/02: View as the DHL plane arrives at Marseille Provence Airport. (Photo by Gerard Bottino/SOPA Images/LightRocket via Getty Images) (Gerard Bottino/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 09h53.

A DHL Global Forwarding colocou o Brasil no centro da malha logística da América Latina. A gigante mundial adotou uma nova estratégia baseada na operação de hubs regionais com foco nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo. Com isso, ela projeta crescimento de até 30% no volume de cargas consolidadas até o fim de 2026 — especialmente em setores industriais de alta complexidade, como tecnologia, automotivo e óleo e gás.

Na prática, a DHL está trocando o eixo tradicional de redistribuição via Miami por uma malha que usa o território brasileiro como centro de triagem e reenvio para os demais mercados latino-americanos. O modelo busca se aproveitar de três fatores: a localização geográfica do Brasil, a robustez da infraestrutura aeroportuária e a elevada conectividade aérea — com mais de 600 voos internacionais mensais.

“O Brasil está pronto para ser o protagonista logístico da região”, afirma Eric Brenner, CEO da DHL Global Forwarding no país. Segundo ele, o país reúne as condições para assumir um papel global na redistribuição de cargas intercontinentais, substituindo rotas tradicionais por alternativas mais rápidas e menos onerosas.

Nova rota, menos risco

Historicamente, cargas vindas da Ásia ou da Europa com destino ao Cone Sul costumavam ser enviadas para Miami, nos Estados Unidos, antes de seguirem para os mercados latino-americanos. A DHL agora inverte essa lógica, passando a usar o Brasil como centro de redistribuição.

O novo modelo permite reduzir o manuseio, manter as cargas na zona alfandegária e diminuir riscos para mercadorias de alto valor agregado, como componentes industriais e eletrônicos. Além disso, a companhia aposta em digitalização e padronização para garantir a segurança e o controle das operações.

“A ideia é usar a malha aérea já existente para otimizar rotas e reduzir custos”, diz André Maluf, diretor de Produto Aéreo da DHL. Para ele, o avanço do país como hub logístico também é sustentado pela balança comercial. “O Brasil tem registrado superávit em valor de mercadorias, com exportações acima das importações. Isso cria oportunidades de escala.”

Dois aeroportos, funções distintas

No novo desenho operacional, Guarulhos e Viracopos terão papéis complementares. O primeiro se destaca pela frequência de voos, ideal para conexões rápidas e de menor volume. Já o segundo absorve cargas maiores, com a mesma agilidade nas conexões. Ambos servem como base para os setores com maior exigência técnica e de prazo.

Entre as metas operacionais, a DHL espera obter entre 10% e 30% de ganho em eficiência logística. O foco é consolidar o Brasil como um hub para o envio de cargas da Ásia e Europa a países como Chile, Argentina, Colômbia e Peru — todos com mercados relevantes para os segmentos industriais atendidos pela empresa.

A expectativa é que, com o avanço da estratégia, o Brasil passe a responder por uma parcela ainda mais relevante da movimentação de carga aérea na região. Com a infraestrutura existente e o novo modelo de operação, o país pode transformar sua posição periférica na cadeia global em um novo centro logístico latino-americano.

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