Braskem: empresa protocolou pedido de recuperação extrajudicial (Miriam Fichtner/Braskem)
Editor de Invest
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 17h50.
A Braskem (BRKM5) protocolou nesta segunda-feira, 24, o pedido de recuperação extrajudicial da companhia e de certas controladas na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. A petroquímica busca reestruturar obrigações financeiras quirografárias que somam cerca de US$ 10,9 bilhões, um passo que aprofunda a negociação com credores que a empresa vinha costurando ao longo do ano.
O protocolo tem efeito imediato e suspende a exigibilidade das obrigações da companhia e das controladas em relação aos créditos abrangidos pelo pedido. O objetivo, segundo o fato relevante, é assegurar um ambiente jurídico estável e protegido para negociar e implementar a reestruturação da dívida financeira.
O pedido foi apresentado com a adesão de credores quirografários (sem garantias) que representam 39,6% dos créditos sujeitos ao plano. A partir do protocolo, a Braskem tem prazo de 90 dias para atingir o percentual mínimo necessário à homologação do plano atualizado, o que vincularia 100% dos créditos aos novos termos e condições de pagamento.
O plano estabelece parâmetros gerais para a negociação, entre eles o alongamento das dívidas, a capitalização de juros durante um período de relief (em que empresa fica temporariamente desobrigada de pagar juros), eventual suporte de liquidez dos acionistas principais e um compromisso de aporte ou garantia de capital ao final desse período, caso a companhia não atinja determinadas métricas. Há ainda a possibilidade de capitalização de parte dos créditos.
O plano conta com o apoio dos acionistas principais da companhia, a Petrobras e o Shine I Fundo de Investimento em Participações, ligado à IG4 Capital. A Braskem destacou que a recuperação extrajudicial tem escopo estritamente financeiro e não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros, cujos contratos seguem vigentes e sendo cumpridos normalmente.
A Braskem avaliava recorrer à recuperação judicial ou a outros mecanismos de proteção contra credores em meio a dívidas, buscando preservar caixa e reorganizar obrigações num momento de dificuldade para honrar compromissos futuros.
O aperto financeiro ficou evidente no balanço do início do ano, quando a companhia reportou prejuízo de R$ 10,3 bilhões, o dobro do registrado um ano antes. O resultado reflete um ciclo de baixa no setor petroquímico e os impactos financeiros ligados ao evento geológico em Alagoas, tema citado no próprio fato relevante. O comunicado dá continuidade a fatos relevantes divulgados em setembro de 2025 e em junho de 2026.
A companhia informou que manterá o mercado atualizado sobre os próximos passos e disponibilizará os documentos relacionados ao pedido nos sites de relações com investidores, da CVM e da B3. Os próximos meses devem definir o desenho da nova estrutura de capital da petroquímica e o formato final do acordo com os credores.