Financiamento de veículos: novos largam na frente (Divulgação)
Editor de Invest
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 11h07.
O financiamento de veículos novos disparou 21% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025 e ajudou a levar o total de operações a 674.735 unidades, o maior volume para o mês desde 2008. Os dados são da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a dados, analytics e inteligência artificial, e mostram um consumidor que volta ao carro zero, financia valores maiores e por prazos mais longos.
Foram 124.933 unidades novas financiadas no mês, um ritmo bem acima do registrado pelos usados. Na comparação com julho do ano passado, o total de operações cresceu 5,6%. No acumulado de janeiro a julho, as vendas financiadas chegaram a 4,452 milhões de unidades, alta de 10% ante o mesmo período de 2025.
O movimento acontece em um ambiente de crédito ainda caro, ainda que o Copom tenha reduzido a Selic para 14% ao ano no início de agosto, na quarta redução consecutiva do ciclo iniciado em março. Via de regra, cortes nos juros tendem a aliviar gradualmente o custo das linhas com garantia, como o financiamento de veículos.
Enquanto o financiamento de veículos 0 km avançou 21% na comparação anual, os usados cresceram em ritmo bem menor. Por tempo de uso, os veículos com até 3 anos subiram 11,8% e os acima de 12 anos, 15,9%. Já as faixas intermediárias recuaram: queda de 5,2% entre 4 e 8 anos e de 11,3% entre 9 e 12 anos.
Os autos leves seguiram concentrando a maior fatia do mercado, com 479.987 unidades financiadas em julho, sendo 124.933 novas e 355.054 usadas, alta de 6,1% na comparação anual. O segmento respondeu pelo principal volume de operações no mês.
O perfil do crédito também mudou. O prazo médio total dos financiamentos passou de 45 meses em julho de 2025 para 47 meses em julho deste ano. O alongamento foi mais visível entre os veículos de 0 a 3 anos e na faixa de 4 a 8 anos, ambas com 51 meses. Entre os novos, o prazo médio ficou em 43 meses.
O prazo mais longo reduz o valor da parcela e ajuda a explicar por que o consumidor tem conseguido migrar de volta para o carro zero mesmo com a Selic ainda em patamar restritivo.
As motos somaram 163.587 financiamentos em julho, com 118.318 unidades novas e 45.269 usadas, avanço de 8,8% na comparação anual. Os pesados totalizaram 30.005 operações, divididas entre 14.670 novos e 15.335 usados, com crescimento de 15,5% no ano, o maior avanço percentual entre os segmentos.
No recorte por estado, o Sudeste concentrou o maior número de operações. São Paulo somou 171.408 financiamentos em julho, seguido por Minas Gerais, com 61.433. Paraná (52.624), Santa Catarina (46.957) e Rio de Janeiro (34.593) completaram o top 5.
O acompanhamento mensal da Tabela Auto B3 mostrou recuo nos preços de transação tanto entre novos quanto usados em julho. Os veículos 0 km tiveram queda média de cerca de 1,2% ante o mês anterior, com as maiores retrações em pickups compactas (-2,3%), pickups derivadas de automóveis (-1,5%) e hatchbacks (-1,4%). No acumulado de 12 meses, a variação média dos novos ficou em aproximadamente -4,7%.
No mercado de usados, a queda média foi de cerca de 1,0% na comparação mensal, puxada por SUVs (-1,6%), crossovers (-1,5%) e pickups médias (-1,0%). Em 12 meses, a retração média também ficou em torno de -4,7%, com as maiores quedas concentradas em SUVs (-8,2%), pickups compactas (-7,6%) e crossovers (-7,6%).