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CEO da B3 vê capital estrangeiro destravando mercado de IPOs

B3 aposta em retomada gradual após anos de baixa atividade no mercado

Gilson Finkelsztain: 'tem um vento bom chegando aí' (Leandro Fonseca/Exame)

Gilson Finkelsztain: 'tem um vento bom chegando aí' (Leandro Fonseca/Exame)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 14h56.

O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, avalia que o mercado brasileiro pode estar diante de uma retomada das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs). Essa percepção vem da expectativa de queda dos juros, o retorno do fluxo estrangeiro para mercados emergentes e o avanço de listagens de empresas brasileiras no exterior.

"Tem um vento bom aí chegando", disse o CEO, em almoço com jornalistas na sede da B3, admitindo que errou previsões sobre reabertura do mercado no passado.  "O mercado de renda variável nos traz essas surpresas”, afirmou.

Para Finkelsztain, o desempenho recente da bolsa reforça a percepção de um novo ciclo de interesse por ativos de risco e pode apontar para uma tendência mais ampla.

"O mercado americano absorveu todo o dinheiro marginal existente na indústria de investimentos”, reconhece o executivo.

Para ele, a recente abertura de capital do PicPay na Nasdaq pode sinalizar uma nova janela para ofertas públicas no Brasil. “Mais importante se aconteceu lá fora e não aqui, para mim parece ser um prenúncio de que vem potencialmente uma onda de abertura de capital no Brasil.”

O CEO afirma que há mais 50 empresas com registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliárias (CVM) com governança preparada para vir a mercado.

Ele ressaltou que a decisão depende fundamentalmente do apetite dos investidores. “Essas empresas estão dispostas a captar, elas têm planos agressivos de crescimento. Nunca foi um problema de oferta. Se tiver demanda elas vêm a mercado.”

Infraestrutura deve puxar primeiras ofertas

De acordo com o CEO da B3, o ciclo de IPOs deve começar por companhias mais maduras, com destaque para o setor de infraestrutura, com operações bilionárias e perspectiva mais clara de investimento.

Outros setores em potencial para vir a mercado, segundo ele, são o de logística, energia, concessões rodoviárias, indústria farmacêutica, cimento e siderurgia.

“O Brasil tem bons empreendedores e muitos bons negócios em empresas 100% familiares, com oportunidades de expansão. Isso é matéria-prima para uma diversidade de oportunidades.”

Finkelsztain afirmou que, apesar da possibilidade de algumas empresas optarem por listagens no exterior, a tendência é que a maior parte das ofertas ocorra no mercado doméstico.

Expectativa é de retomada gradual do mercado

Apesar do otimismo, o executivo evitou estimativas definitivas sobre o número de operações. Ainda assim, se arriscou a dizer que acredita em uma reabertura do mercado ainda este ano.

"O que eu tenho escutado dos bancos é que entre 10 e 15 empresas teriam o potencial de fazer operações este ano, caso o fluxo se mantenha”,  disse.

Finkelsztain afirmou que a trajetória da taxa de juros no Brasil será determinante para consolidar a retomada do mercado acionário. E estimular o retorno do investidor local para a renda variável.

“O investidor brasileiro chegou a ter perto de 15% do recurso investido em ações e hoje esse número está entre 5 e 6%”.

Para o executivo, a combinação entre redução de juros e maior previsibilidade fiscal pode acelerar esse movimento.

Mesmo com as incertezas do ano eleitoral, Finkelsztain mantém visão positiva para o médio prazo. “Estamos bem esperançosos e acho que dias melhores virão.”

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