C&A: impacto de consumo mais cauteloso e competição no varejo de moda (C&A/Divulgação)
Editor de Invest
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 10h33.
O varejo brasileiro deve encerrar o quarto trimestre de 2025 sob pressão de um ambiente ainda adverso, marcado por juros elevados e alto nível de endividamento das famílias. Embora a inflação tenha perdido força ao longo do ano, o custo do crédito segue como um freio relevante ao consumo, especialmente nos segmentos mais sensíveis à renda.
É nesse contexto que o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) projeta um desempenho desigual para o setor no fim do ano, com sinais de desaceleração mais claros em alguns players, segundo relatório preliminar sobre a temporada de balanços do 4T25 .
Entre os destaques negativos está a C&A, que deve apresentar vendas praticamente estagnadas no período. A expectativa do banco é de avanço de apenas 1% na receita líquida de vestuário na comparação anual, com vendas em mesmas lojas (SSS) praticamente estáveis e retração da margem EBITDA consolidada.
O desempenho reflete, na avaliação dos analistas, a combinação de consumo mais cauteloso com um cenário competitivo mais acirrado no segmento de moda.
As ações da C&A recuaram mais de 15% no pregão de ontem.
No outro extremo do varejo de moda, a Lojas Renner tende a mostrar números um pouco mais resilientes. O BTG estima crescimento de 4% na receita do varejo no quarto trimestre, com avanço de 2,5% nas vendas em mesmas lojas. A margem bruta deve subir 10 pontos-base, para 55,9%, enquanto o EBITDA consolidado é projetado em R$ 886 milhões, sinalizando algum ganho de eficiência operacional mesmo em um ambiente macro ainda restritivo .
Outras empresas de moda também devem registrar desempenhos distintos.
A Vivara aparece entre as que mantêm ritmo mais forte de crescimento, com expectativa de alta de 16% na receita líquida e expansão de margem EBITDA, desconsiderando efeitos contábeis. Já a Track&Field deve acelerar ainda mais, com crescimento estimado de 31% na receita, embora com melhora apenas marginal de margem, segundo o banco.
Fora do vestuário, o relatório do BTG aponta um quadro igualmente heterogêneo.
Assaí deve registrar crescimento modesto nas vendas, com SSS de 0,8% e leve expansão de margem. Casas Bahia tende a se beneficiar do canal digital, com crescimento de 12% no GMV online e melhora da margem EBITDA.
No setor farmacêutico, Raia Drogasil e Pague Menos devem apresentar desempenhos mais robustos, com crescimento de vendas e expansão de margens.
Já Smart Fit segue em trajetória de crescimento forte, embora em desaceleração, enquanto Petz deve sentir alguma pressão sobre rentabilidade .
Na leitura do BTG, o quarto trimestre consolida 2025 como um ano de transição para o varejo.
Depois de um primeiro semestre melhor do que o esperado, o segundo semestre trouxe sinais mais claros de desaceleração, reforçando a expectativa de que uma recuperação mais consistente do consumo fique condicionada ao início de um ciclo mais firme de queda dos juros ao longo de 2026 .