Ciência

Toda gordura saturada é vilã? Estudo liga queijo a menor risco de demência

Pesquisa associa consumo diário de queijo rico em gordura a menor risco de doenças; versões desnatadas não mostraram o mesmo efeito

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O consumo regular de queijo rico em gordura e creme de leite integral foi associado a um menor risco de demência em um estudo publicado na revista científica Neurology. A pesquisa acompanhou quase 28 mil pessoas por um período de cerca de 25 anos e comparou os hábitos alimentares dos participantes com diagnósticos registrados no sistema de saúde da Suécia.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund. Os estudiosos cruzaram informações sobre alimentação com dados do Registro Nacional de Pacientes da Suécia. Durante o acompanhamento, que durou em média 25 anos e foi até 2020, foram identificados 3.208 casos de demência.

Queijo e demência: qual a relação?

Os resultados indicaram que participantes que consumiam 50 gramas ou mais por dia de queijo rico em gordura apresentaram uma redução estimada entre 13% e 19% no risco de demência, em comparação com quem não consumia. Já o consumo de creme de leite rico em gordura foi associado a uma redução de 16% no risco de desenvolver demência em geral.

O estudo também chamou atenção por não encontrar o mesmo padrão em outros produtos. De acordo com o levantamento, não houve benefícios semelhantes em laticínios com baixo teor de gordura, nem em leite comum ou manteiga. Segundo os autores, isso sugere que pode haver algo específico na composição do queijo e do creme de leite fermentado que se diferencia de outros laticínios.

O que pode explicar o resultado?

A coautora Emily Sonestedt afirmou que ficou surpresa com os resultados, mas apontou que eles podem ter lógica biológica. O texto menciona que o queijo é fonte de ácidos graxos de cadeia média, vitamina K2, cálcio e proteínas.

A pesquisa também levanta a hipótese de que o fato de o queijo ser um alimento fermentado pode influenciar a microbiota intestinal, tema que vem sendo estudado por pesquisas que analisam a conexão entre intestino e cérebro.

Apesar das associações, os autores reforçam que o estudo é observacional. Isso significa que os dados mostram que dois fatores ocorreram ao mesmo tempo ao longo do tempo, mas não comprovam que um seja a causa direta do outro.

O texto também menciona que hábitos de vida podem influenciar o resultado, como atividade física, mesmo com tentativas de ajuste das variáveis.

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