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As Bolsas da China despencaram para o menor nível desde 2006. Vale a pena investir?

Os duros lockdowns e as incertezas econômicas levaram os mercados financeiros chineses a despencar, mas muitos traders já vislumbram oportunidades

Bolsa de Valores da China em Hong Kong (Paul Yeung/Bloomberg via/Getty Images)

Bolsa de Valores da China em Hong Kong (Paul Yeung/Bloomberg via/Getty Images)

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Carlo Cauti

Publicado em 30 de novembro de 2022, 05h46.

Desde o começo do ano, Bolsas de Valores da China registraram fortes quedas, que levaram os índices ao mesmo nível registrado em 2006.

Na Bolsa de Valores de Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 21,78% desde janeiro, chegando a bater os 14 mil pontos. O mesmo nível registrado entre o final de 2005 e o começo de 2006. Em Shangai, o índice Composite caiu 13,29% desde o começo do ano, voltando aos dois mil pontos, mesmo nível do final de 2006.

Como no inverno de 2019, quando a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) começou a aparecer, o epicentro da crise das Bolsas de Valores do mundo todo parece ser novamente a China. Os protestos violentos que estão ocorrendo nas praças chinesas contra as duras medidas de restrição impostas pelo governo de Pequim para tentar conter a nova onda da pandemia levaram para uma nova queda nos mercados financeiros locais.

Com quedas tão acentuadas, os traders estão se perguntando se essa uma oportunidade para entrar, esperando um "respiro" dos índices. Mas existe o medo que as Bolsas de Valores na China não consigam mudar de rumo, e continuem afundando ainda mais, sendo projetadas para novas mínimas.

Política vai influenciar muito as Bolsas de Valores na China

Muito vai depender de decisões políticas: uma política de “Covid zero” pode agravar os riscos de desaceleração da economia chinesa, com impactos também nas matérias-primas. Não por acaso, o petróleo está em queda nas últimas semanas. Assim como gerar um risco de recessão na economia global em 2023, principalmente na Zona do Euro e nos Estados Unidos.

No entanto, se os protestos provocarem uma brecha na classe dirigente chinesa, pressionando gradualmente o presidente Xi Jinping a suavizar sua intransigente política de contenção do vírus, os ativos de risco poderiam voltar a subir na China. Levando juntos também os mercados financeiros ocidentais, que olham com forte preocupação para o Oriente.

Mas o aspecto mais interessante é que, se olharmos para os fundamentos, como faz há décadas Warren Buffett, descobrimos que muitas empresas chinesas estão surpreendendo os analistas. Há duas semanas, os resultados do AliBaba (BABA34) superaram as previsões, e a ação subiu quase 30%. Assim como os números de outra gigante, a Jd, foram muito positivos. Na última segunda-feira foi a vez da Pinduoduo, que viu o seu faturamento crescer 65%, superando largamente as expectativas. O mercado recompensou a ação com uma alta de 15%. Das mínimas de 24 de outubro para US$ 38, a ação praticamente dobrou de valor.

Apesar desses desempenhos individuais, o nível dos índices chineses e, de forma mais geral, dos agregados dos países emergentes, está em seu nível mais baixo desde 2006. Como resultado, os investidores levantaram as antenas.

Os duros lockdowns estão temporariamente travando o Produto Interno Bruto (PIB) chinês. Todavia, o Banco Central de Pequim está atuando de forma muito expansiva. E com valuations tão baixas, mas com empresas crescendo muito além do esperado e com forte correlação com commodities (que historicamente recompensam economias emergentes), muitos traders estão vendo uma oportunidade de investimento muito clara em uma perspetiva de 18-24 meses. Se a relação risco-retorno dessas ações continuar como está, nos próximos meses os mercados emergentes, e a China em primeiro lugar, poderão superar amplamente Wall Street.