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Bolsas asiáticas batem máximas, mas viram com tensão global

Investidores evitam risco com incerteza sobre cessar-fogo e impacto nos preços de energia

Bolsa: mercados asiáticos chegaram a máximas, mas fecharam sem direção única. (Jung Yeon-je / AFP/Getty Images)

Bolsa: mercados asiáticos chegaram a máximas, mas fecharam sem direção única. (Jung Yeon-je / AFP/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 23 de abril de 2026 às 08h30.

As bolsas asiáticas chegaram a renovar máximas históricas nesta quinta-feira, 23, mas o avanço perdeu força ao longo do dia diante da persistência das tensões entre Irã e Estados Unidos.

O índice Nikkei, na bolsa de Tóquio, ultrapassou os 60 mil pontos pela primeira vez. Já na Coreia do Sul, o Kospi subiu quase 2%. O Taiex, de Taiwan, alcançou 37,8 mil pontos.

O movimento positivo no início do pregão foi puxado por dados econômicos e fortes resultados corporativos na região. A líder no mercado de chips SK Hynix reportou lucro trimestral recorde, de R$ 135 bilhões.

Já a economia da Coreia do Sul registrou seu crescimento mais rápido em quase seis anos no último trimestre, e, no Japão, a atividade manufatureira avançou no ritmo mais forte em quatro anos em abril.

Os ganhos, porém, não se sustentaram, segundo fontes consultadas pela Reuters, porque os índices chegaram ao atingir níveis recordes, mas inverteram o sinal e passaram a operar em queda.

O principal fator por trás dessa virada continua sendo a incerteza do cenário geopolítico. A apreensão de dois navios pelo Irã no Estreito de Ormuz e a falta de avanços concretos nas negociações expõem fragilidades.

Informações de fontes dos setores marítimo e de segurança, reportadas pela agência, indicam que forças estadunidenses interceptaram pelo menos três petroleiros iranianos.

Impactos da guerra

Setores que vão de bens de consumo a viagens e mineração têm adotado um tom mais cauteloso, sinalizando aumento de custos, interrupções em cadeias de suprimentos e queda na confiança do consumidor.

Relatos compilados pela Reuters mostram que o encarecimento da energia, impulsionado pela alta do petróleo, tem sido um dos principais pontos de pressão sobre as margens, além de dificultar previsões mais claras.

O impacto também já aparece nas estimativas macroeconômicas. A ministra das Finanças da Nova Zelândia, Nicola Willis, afirmou que a recuperação econômica do país foi adiada.

Já o Ministério da Economia da Alemanha revisou para baixo suas projeções de crescimento para 2026 e 2027, ao mesmo tempo em que elevou as estimativas de inflação.

A dúvida que domina o mercado é se o movimento de alta pode se sustentar. A combinação de dados positivos na Ásia com um cenário geopolítico deteriorado cria um ambiente mais instável.

Investidores acompanham a divulgação de indicadores preliminares de atividades industriais e de serviços, chamados de PMIs, no Reino Unido, Alemanha, França e zona do euro.

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