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Bloqueio em Ormuz pressiona preço do petróleo pelo 7º pregão seguido

Com Ormuz praticamente fechado e Donald Trump rejeitando proposta iraniana, barril bate máxima em três semanas e analistas veem riscos de novas altas

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 28 de abril de 2026 às 06h57.

O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira, 28, em uma sequência de altas que já dura sete pregões seguidos para o Brent.

Os contratos futuros do Brent para julho superaram US$ 104, cotados a US$ 104,41, alta de 2,67% no dia, enquanto os de junho do West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos Estados Unidos (EUA), avançaram 3,29%, chegando a US$ 99,54.

Trata-se da combinação de negociações travadas entre EUA e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota que concentra cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo.

10 milhões de barris por dia

Antes do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, entre 125 e 140 navios cruzavam o Estreito de Ormuz diariamente até o Irã anunciar o seu fechamento no início das tensões, de acordo com dados compilados pela Reuters.

Uma das maiores corretoras independentes do petróleo, a PVM, consultada pela agência, estima que dez milhões de barris por dia de petróleo e derivados deixaram de circular pelo mercado global desde o fechamento do Estreito.

Os EUA impuseram, também, um cerco naval aos portos iranianos no último dia 13.

A proposta que Trump rejeitou

O Irã apresentou uma proposta para encerrar o conflito, em que os EUA suspenderiam o bloqueio naval, concordariam com uma nova definição para o tráfego pelo Estreito e garantiriam que não irão voltar a atacar o país.

Trump não aceitou os termos, e um oficial americano confirmou à Reuters que o presidente está insatisfeito com a oferta.

Fontes do governo ouvidas pelo Wall Street Journal veem que uma contraproposta estadunidense deve ser apresentada nos próximos dias.

Armazenamento do petróleo

Dados da Kpler, divulgados pela Bloomberg, identificaram que o Irã está esgotando sua capacidade de armazenamento de petróleo bruto, o que pode forçar cortes na extração em breve.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou nas redes sociais que a indústria petrolífera iraniana já está "começando a interromper a produção" por causa do bloqueio, acrescentou a agência.

Analistas veem riscos de alta

O analista da Rystad Energy, Jorge Leon, afirmou à Reuters que "o preço do petróleo acima de US$ 110 por barril reflete um mercado que está rapidamente reavaliando o risco geopolítico."

"Mesmo no melhor cenário possível, qualquer acordo entre EUA e Irã provavelmente será limitado e parcial, deixando a questão do Estreito sem solução, o que significa que os riscos de alta para os preços permanecem."Jorge Leon, analista da Rystad Energy

A estrategista de energia do Rabobank, Florence Schmit, disse à Bloomberg que "a última proposta do Irã parece não ter futuro, já que os EUA dificilmente a aceitarão e os mercados de petróleo agora se deparam com o fato de que não haverá uma solução rápida para o bloqueio."

"Grande parte do sentimento de aversão ao risco que dominou os mercados nas últimas semanas está dando lugar a uma perspectiva mais pessimista em relação ao risco", detalhou a executiva.

A Arábia Saudita estuda reduzir os preços do petróleo vendido à Ásia em junho, saindo de níveis recordes, a fim de conter parte da alta dos preços, segundo informações divulgadas pela Reuters.

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