Irã: guerra entra em novo rumo com Teerã propondo reabrir Ormuz. (Elaheh ASIABI/FARS NEWS AGENCY/AFP/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 27 de abril de 2026 às 11h09.
A interrupção das negociações entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados, mesmo com Teerã sinalizando uma nova proposta envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde passa um quarto do petróleo global.
O impasse ganhou força depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou o envio de emissários para conversas no fim de semana, citando "tremendas lutas internas e confusão" dentro da liderança iraniana.
Relatos publicados pela Axios e divulgados pela CNBC indicam que o Irã propôs reabrir Ormuz e reduzir a tensão militar, mas quer deixar as negociações nucleares para depois.O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, esteve no Paquistão nos últimos dias, enquanto autoridades estadunidenses, que deveriam ir ao local, admitem conversas à distância.
O petróleo Brent para julho subiu cerca de 1,75%, para US$ 100,77 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, para junho avançou 1,81%, a US$ 96,10, por volta das 10 horas desta segunda-feira, 27.
O Goldman Sachs elevou a estimativa para o Brent no fim de 2026 de US$ 80 para US$ 90 por barril. A leitura é que a normalização da oferta vai demorar mais. A previsão agora é de retomada das exportações só no fim de junho.
Até lá, o mercado segue apertado, tendo em vista que os estoques globais estão caindo entre 11 milhões e 12 milhões de barris por dia em abril, no que o banco descreve como um ritmo recorde.
A gestora Invesco também segue a mesma linha e trabalha com um piso próximo de US$ 80 por barril ao longo de 2026, assumindo que não haverá normalização completa no curto prazo.
Os principais índices globais recuperaram as perdas do início do conflito e operam perto das máximas, mas hoje os futuros do S&P 500 para junho registraram um leve recuo de 0,11%, a 7.187 pontos.
Para o estrategista de investimentos da Global X ETFs, Billy Leung, o mercado está dividido: "as ações estão essencialmente equilibrando duas forças opostas."De um lado está o risco geopolítico e, do outro, o avanço da inteligência artificial (IA). "A cauda direita está vencendo de forma convincente", disse à CNBC. "O sentimento está aquecido, o posicionamento está saturado."
O impacto já aparece em outras commodities. No gás natural liquefeito (GNL), os preços na Europa estão cerca de um terço acima do nível pré-conflito e cerca de um quinto da oferta global foi afetada.
O encarecimento do gás pressiona fertilizantes e custos agrícolas, o que tende a aparecer nos preços de alimentos nos próximos meses. "A pressão na cadeia alimentar aumenta com um certo atraso", segundo Leung.
Um relatório assinado pelo diretor global de pesquisa da Invesco, Benjamin Jones, aponta que a disrupção já atinge insumos como alumínio, hélio e enxofre, ampliando o impacto nas cadeias industriais.
O estrategista sênior de investimentos do Standard Chartered, Rajat Bhattacharya, afirmou que "qualquer volatilidade de curto prazo oferece aos investidores a oportunidade de aumentar a exposição a ativos de risco."
E choques de oferta no passado derrubaram mercados no curto prazo, mas foram seguidos por recuperação após a normalização, acrescentou o economista e presidente da Yardeni Research, Ed Yardeni.