Kassio Nunes Marques: ministro citou os mais de 95 mil locais de votação e a oferta de transporte gratuito ao eleitor. (Gustavo Moreno-SCO-STF/Getty Images)
Editora ESG
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 22h29.
Última atualização em 26 de outubro de 2026 às 00h12.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, proclamou na noite deste domingo, 25, com a apuração concluída, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou mais de 64 milhões de votos.
A fala encerrou um dia atípico. Por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), a votação foi estendida das 17h para as 19h, algo inédito na história do TSE e que, segundo o ministro, exigiu soluções técnicas de última hora.
Nunes Marques cumprimentou, igualmente, os dois finalistas. Ao derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), destacou a votação expressiva na primeira vez em que disputou a Presidência.
A Lula, reconheceu a "participação em mais um processo democrático, marca de uma trajetória que atravessa diferentes períodos da história do país".
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A noite, disse o ministro, "não pertence apenas às chapas eleitas", mas "sobretudo à eleitora e ao eleitor brasileiro", que classificou como protagonistas da eleição e destinatários do trabalho da Justiça Eleitoral.
Dos mais de 158 milhões de aptos a votar, a abstenção no segundo turno ficou em 19,21%. O índice é menor que o de 4 de outubro, de cerca de 21%, o mais alto já registrado em um primeiro turno.
Para Nunes Marques, "esse número é especialmente importante nesta eleição", marcada pelo debate sobre a suposta dificuldade do eleitor em voltar às urnas.
O ministro afirmou que a Justiça Eleitoral organiza o pleito para dar o máximo de comodidade ao eleitor.
O país tem mais de 95 mil locais de votação, distribuídos para reduzir deslocamentos, e o próprio eleitor pode pedir a transferência para um endereço mais próximo de casa, quando houver viabilidade.
Reconheceu, porém, que a estrutura não elimina as dificuldades, sobretudo nas periferias e nas áreas rurais.
Por isso, citou a obrigação de oferecer transporte coletivo gratuito no dia da votação, estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2022 e incorporada a resolução do TSE.
Segundo Nunes Marques, os tribunais regionais foram orientados a fiscalizar o cumprimento da regra, e eventual falta de transporte será apurada.
No momento mais incisivo do discurso tratou da liminar que prorrogou o encerramento da votação. Segundo o ministro, a decisão gerou dificuldades ao processo eleitoral.
Nunes Marques relatou que, ao receber o pedido de prorrogação, buscou informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e com as equipes do TSE.
Lembrou que não havia norma que autorizasse estender a votação e que isso nunca havia ocorrido na história da Corte.
Na avaliação dele, não seria possível construir, em poucas horas, a certeza de que a medida não provocaria efeitos colaterais, sobretudo no sistema eletrônico.
"Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, calculada e estruturada", afirmou.
O ministro ressalvou que suas palavras não representavam crítica à decisão judicial. Disse que pretendia responder aos questionamentos nas redes sociais sobre a suposta demora do TSE em se manifestar.
Ao final, declarou: "Hoje estamos felizes e orgulhosos da nossa equipe técnica". Segundo ele, os técnicos evitaram consequências mais graves e contornaram as dificuldades de última hora, concluindo a totalização dos boletins de urna de todo o país.