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Ataques no Estreito de Ormuz ampliam volatilidade do petróleo

Comando Central dos EUA confirmou que forças americanas afundaram diversas embarcações iranianas

Estreito de Ormuz: crise entre o Irã e os Estados Unidos ameaça uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo | ISNA/AP Photo/Glow Images

Estreito de Ormuz: crise entre o Irã e os Estados Unidos ameaça uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo | ISNA/AP Photo/Glow Images

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de março de 2026 às 09h45.

O mercado global de energia enfrenta intensa instabilidade devido ao agravamento das tensões militares no Oriente Médio, especialmente na região do Irã.

O Brent caiu 11,27% no final da sessão regular de ontem, cotado a US$ 87,80 por barril, e o West Texas Intermediate (WTI) recuou 11,94%, a US$ 83,45, chegando a menos de US$ 80 no after hours. Mas ainda à noite, o as cotações voltaram a subir com o Irã ameaçando colocar minas na passagem dos navios que saem do Golfo.

O Comando Central dos Estados Unidos (EUA) confirmou que forças americanas afundaram diversas embarcações iranianas, incluindo 16 navios lançadores de minas, próximas ao Estreito de Ormuz. O local é uma das principais rotas de escoamento do petróleo no mundo.

A operação ocorreu após o presidente Donald Trump exigir a remoção imediata de quaisquer minas que o Irã pudesse ter posicionado na região.

Oscilações de preços e impactos

A volatilidade nos preços do petróleo foi agravada por informações desencontradas do alto escalão americano.

O preço do barril despencou na última terça-feira, 10, após o secretário de Energia, Chris Wright, afirmar falsamente que a Marinha dos EUA havia escoltado um navio-tanque pelo estreito.

A postagem de Wright foi deletada e desmentida pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, que reiterou que tal escolta não ocorreu.

Operadores de mercado seguem cautelosos, monitorando a possibilidade de países acionarem reservas estratégicas para reduzir interrupções no fornecimento provocadas pelo conflito.

Fluxo comercial e ameaças táticas

Apesar de o Estreito de Ormuz estar restrito para grande parte do suprimento global, o fluxo para a China permanece ativo.

Dados da TankerTrackers e da Kpler, consultados pela CNBC, indicam que o Irã enviou entre 11,7 milhões e 12 milhões de barris para o mercado chinês desde o início das hostilidades.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou as operações recentes como o "dia de ataques mais intensos", em consonância com a postura do governo de atacar alvos iranianos.

Relatórios da CBS News indicam que o Irã pode preparar a implantação de novas minas no estreito, aumentando o risco de confrontos diretos.

Tecnologia e semicondutores

O impacto econômico do conflito se estende além do setor energético, atingindo a indústria de tecnologia.

Analistas ouvidos pela CNBC alertam que um conflito prolongado pode prejudicar o acesso a materiais essenciais para semicondutores, afetando a produção de chips para inteligência artificial.

SK Hynix e Samsung já sofreram perdas combinadas superiores a US$ 200 bilhões desde o início da guerra, embora tenham registrado recuperação parcial.

No setor de software, a Oracle superou expectativas e elevou suas ações em até 10%, contrariando a tendência negativa.

Mesmo assim, o sentimento geral dos investidores permanece pressionado pelo receio de que a alta nos custos de energia e a instabilidade geopolítica reduzam a demanda global por tecnologia de ponta.

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