Na segunda-feira (9), o barril do tipo Brent superou a marca de US$119,46, o maior valor desde 2022. Mas após fala de Trump, chegou a cair mais de 10%, nesta terça (10) (Anton Petrus/Getty Images)
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Publicado em 10 de março de 2026 às 19h23.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o repasse para os preços dos combustíveis não é imediato, pois as refinarias operam com estoques e contratos já firmados. Também destacam que o Brasil — que produz 3,8 milhões de barris por dia — pode se consolidar como um fornecedor confiável e seguro, longe das tensões do Golfo Pérsico. O momento reforça a tese de investimentos em novas fronteiras, como a Margem Equatorial, para garantir a segurança energética nacional e atender mercados asiáticos que buscam diversificar seus fornecedores fora do Oriente Médio.
Oscilações no preço
O cenário mudou drasticamente em menos de 48 horas. Na segunda-feira (9), o barril de petróleo do tipo Brent superou a marca de US$119,46, o maior valor desde 2022, impulsionado pelo medo de um desabastecimento prolongado.
Contudo, nesta terça-feira (10), os preços despencaram. O alívio veio após o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, afirmar em entrevista que a guerra no Irã poderia terminar "em breve, mas não nesta semana" e que Washington estaria "muito à frente" de seus prazos iniciais.
Brent (referência mundial): chegou a desabar mais de 10% durante a sessão, sendo cotado a US$88,10.
WTI (referência americana): registrou queda de 7,23%, sendo vendido a US$87,92.
Apesar da queda, o mercado segue cauteloso. O corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã rebateu as declarações, afirmando que Teerã não permitirá a exportação de "um litro de petróleo" se os ataques de Israel e dos EUA continuarem.
Mesmo com a trégua momentânea nas cotações, o governo brasileiro e setores afetados monitoram os efeitos de médio prazo. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, destaca que o impacto no Brasil pode ser sistêmico:
Custo da cesta básica: produtos como carne, soja e milho são precificados em dólar. A instabilidade em Ormuz tende a valorizar a moeda americana, encarecendo a produção agrícola e o preço final nos supermercados.
Fertilizantes: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, e o Irã é um fornecedor relevante de ureia. Um bloqueio prolongado encarece o insumo essencial para o plantio.
Perda de competitividade: o bloqueio do Estreito de Ormuz atinge economias asiáticas (China, Índia e Japão) que são os maiores parceiros comerciais do agronegócio e do petróleo brasileiro.
Logística e diesel: embora o Brasil seja o 9º maior produtor de petróleo, ainda depende da importação de derivados. A alta do barril encarece o diesel, que é o principal componente do custo de frete no país