Agenda do mercado: no Brasil, as atenções se concentram principalmente na política monetária (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam esta terça-feira, 3, tentando calibrar expectativas diante de uma agenda econômica carregada no Brasil e no exterior, além do avanço da temporada de balanços.
O pano de fundo segue sendo o bom humor visto no pregão anterior, quando o Ibovespa avançou pelo segundo dia consecutivo e abriu fevereiro embalado após um janeiro historicamente forte. A questão agora é se o fôlego se mantém diante dos dados do dia e das incertezas que seguem vindo de Washington.
No Brasil, as atenções se concentram principalmente na política monetária. Às 8h, o Banco Central divulga a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), documento que deve ajudar o mercado a refinar as apostas sobre o ritmo e a magnitude do ciclo de cortes da Selic.
Após manter a taxa básica em 15% ao ano e sinalizar o início do afrouxamento em março, o Comitê deixou em aberto se o primeiro movimento será de 0,25 ponto percentual ou se validará a expectativa majoritária de um corte de 0,50 ponto. Investidores buscarão ainda detalhes sobre as premissas para inflação, câmbio e mercado de trabalho, além da interpretação do BC sobre uma condução “serena” da política monetária.
Ainda na agenda doméstica, às 9h, o IBGE divulga a produção industrial de dezembro, indicador importante para avaliar o desempenho da atividade no fim de 2025. Já às 11h30, o Tesouro Nacional realiza leilão de LFTs e NTN-Bs, operação acompanhada de perto por ajudar a balizar expectativas para a curva de juros e a percepção de risco fiscal.
Também entra no radar político-econômico a agenda do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Das 8h30 às 9h30, Haddad participa de um evento do Jornal BandNews, com transmissão ao vivo pela BandNews FM e pelo YouTube da emissora, direto da sede da BandNews em Brasília.
Falas do ministro costumam ser monitoradas pelo mercado em busca de sinalizações sobre política fiscal, condução econômica e articulação do governo no Congresso, que retomou suas atividades nesta segunda, 2, após o recesso.
No exterior, o dia começa com decisões e indicadores relevantes na Ásia e na Europa. Ainda na madrugada, o banco central da Austrália anuncia sua decisão de política monetária. Na França, o mercado acompanha a divulgação preliminar do índice de preços ao consumidor (CPI) de janeiro.
Mais tarde, já no fim do dia, saem os PMIs de serviços e composto do Japão e da China, dados que ajudam a medir o ritmo da atividade nas duas maiores economias da Ásia.
Nos Estados Unidos, a agenda econômica segue marcada por incerteza. O relatório Jolts, que mede a abertura de vagas no mercado de trabalho e estava previsto para ser divulgado às 12h, deve sofrer atraso em razão do shutdown parcial do governo americano.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS), responsável pelos dados, ficou sem orçamento para operar, deixando investidores e analistas temporariamente sem uma das principais referências sobre a saúde da economia dos EUA. Um porta-voz do órgão confirmou que os relatórios não serão divulgados nas datas programadas e precisarão ser reagendados quando o financiamento federal for restaurado.
O shutdown atual decorre de um impasse político envolvendo a pauta de imigração, após parlamentares democratas se recusarem a aprovar recursos para o Departamento de Segurança Interna.
Apesar do ruído, analistas avaliam que o impacto econômico tende a ser limitado, já que o impasse pode ser resolvido em pouco tempo — cenário distinto do shutdown recorde de 43 dias ocorrido entre outubro e novembro de 2025. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta segunda que líderes do Congresso estão perto de uma solução.
No noticiário corporativo, a temporada de balanços começa a ganhar tração. No Brasil, a Romi divulga seus resultados nesta terça-feira, enquanto os grandes bancos seguem no radar ao longo da semana.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham balanços de empresas como Pfizer, PepsiCo, Merck, Advanced Micro Devices (AMD) e Chipotle, resultados capazes de influenciar o humor dos mercados globais.
O ponto de partida para o dia é um mercado doméstico que vem de uma sessão positiva. Na segunda-feira, o Ibovespa subiu 0,79%, aos 182.793 pontos, acompanhando o avanço de Wall Street.
A alta foi relativamente disseminada, com destaque para Vale e bancos, enquanto a forte queda do petróleo pressionou as ações da Petrobras e limitou ganhos mais expressivos do índice. Mesmo com a bolsa em alta, o dólar encerrou o dia em leve valorização frente ao real.